O Que o Caso do Uber Pode Ensinar a Sua Empresa?

Uber

A aparente polêmica causada pelo recente debate entre a esquerda e a direta no Brasil, mais precisamente no que se refere ao argumento de que o capitalismo selvagem tira o emprego dos trabalhadores por meio da corrida tecnológica que automatiza cada vez mais as tarefas repetitivas é completamente inútil. Serviços como o do Uber, por exemplo, tem servido de palco para reforçar tais alegações, mas a questão é que o caminho para uma sociedade cada vez mais dependente da tecnologia é simplesmente inevitável (veja este link para quem ainda desconhece a improcedente polêmica). Tem sido assim desde o período da Revolução Industrial e a tecnologia continuará a exercer a sua inexorável marcha em direção ao futuro, a não ser que o sistema socialista torne-se forte o suficiente para barrar tais avanços, colocando-nos de volta à Idade das Trevas. Mas isso eu duvido muito que acontecerá, uma vez que o socialismo está fadado ao fracasso, na minha humilde opinião (não vou me estender muito neste ponto por aqui. Para quem tiver mais curiosidade sobre este posicionamento, leia a postagem “Socialismo e Capitalismo”).

Sempre que uma nova tecnologia aparece, a velha reclamação de que a novidade tira o emprego dos trabalhadores vem à tona. Apesar dos inúmeros avanços que o uso da tecnologia trás para a sociedade, sempre há aquele grupo (geralmente de inclinação socialista) que só consegue ver o lado negativo da inovação, muitas vezes como forma de manter privilégios, evitar melhorias e eternizar burocracias. Se por um lado muitas tecnologias disruptivas representam, de fato, a eliminação de profissões obsoletas, por outro isso cria novas necessidades e geralmente outros empregos acabam sendo gerados (no caso do Uber, a necessidade de empregar programadores ou possibilitar uma nova fonte de renda para quem quiser ser motorista, por exemplo).

Uma questão de adaptação 

Além disso, precisamos pavimentar o caminho para os nossos filhos e netos. A sociedade precisa progredir, a vida tem que melhorar e o ser humano tem que se adaptar. Não é o cenário ao redor que tem que se adaptar ao ser humano. É o ser humano que tem que se adaptar ao meio em constante evolução. Vem sendo assim há bilhões de anos e o ser humano não está apartado dessa sina transformadora do universo a sua volta. Portanto, não existe estabilidade. Estabilidade é coisa de emprego público, realidade artificial que está longe do dinamismo natural do mercado e da própria vida.

Agora, quem não gosta de estudar, aprender e se aperfeiçoar, por questões inclusive evolutivas (os mais adaptados ao meio sobrevivem e continuam sua jornada segundo o darwinismo), ficará inevitavelmente para trás. Essa é a lei da sobrevivência e a lógica do mundo natural que muitos socialistas e as vezes até alguns capitalistas insistem em ignorar. É o velho conceito japonês conhecido por Kaizen, prática administrativa que prega a melhoria contínua no desempenho e na produtividade das empresas e isso envolve, necessariamente, o desenvolvimento das pessoas e ponto final.

Essa é uma reflexão que possui estreita relação com a existência deste blog, assentada sobre a óbvia constatação de que empresas são formadas por pessoas. Se não fosse assim, bastaria automatizar tudo desde o chão de fábrica até a posição imediatamente inferior ao grupo dos sócios ou dos acionistas que os negócios continuariam a funcionar de vento em popa. E a única forma das pessoas preservarem seus postos de trabalho e ao mesmo tempo perpetuarem os negócios das empresas é através da contínua capacitação. Tanto do ponto de vista da iniciativa individual quanto do ponto de vista da estratégia corporativa, a única “defesa”, (olhando pelo ângulo vitimista) e a única “ferramenta” (olhando pelo ângulo protagonista) contra o avanço da tecnologia sobre os postos de trabalho é o investimento no talento humano.

Fuja das estatísticas

Quer a gente goste disso ou não, as empresas estão inclinadas a desaparecer por conta do conceito de obsolescência. Estudos recentes revelam que apenas uma em cada dez empresas possui condições de manter seu crescimento a longo prazo ou gerar lucros de uma forma contínua. No livro Good to Great, por exemplo, Jim Collins constatou que das 1.435 empresas analisadas, apenas 9% delas foram capazes de sustentar um crescimento por mais de 10 anos consecutivos ao longo de 30 anos. Chris Zook e James Allen, por sua vez, revelaram que apenas 13% de 1.854 empresas analisadas no livro Profit from the Core foram capazes de crescer constantemente em um período maior que 10 anos. E a menos que investimentos massivos em desenvolvimento humano sejam efetuados, o seu negócio tenderá a fazer parte dessas tristes estatísticas também.

É imperativo, portanto, que a cultura da educação faça parte do core business das empresas. Seja pela dificuldade de encontrar talentos no mercado, seja para manter os talentos dentro das organizações, ou seja para se manterem competitivos, os negócios precisam encarar o treinamento de seus funcionários como um investimento estratégico de curto, de médio e de longo prazos.

Portanto, não se iluda. Não há outra opção além de desenvolver as pessoas em um ambiente capitalista cada vez mais dependente da tecnologia. A sua empresa tem que estar comprometida com a capacitação de seus colaboradores se quiser se manter competitiva o máximo de tempo possível no mercado. Do contrário, um Uber da vida pode surgir do nada e acabar com o seu negócio da noite para o dia.

Sua empresa precisa agir e não reagir ao mercado.

Muitas empresas no Brasil tem o hábito de reagir à concorrência da mesma forma que os sindicatos dos taxistas têm reagido contra os motoristas do Uber: com corporativismo, truculência e, se possível, com eliminação da concorrência por meio de formação de cartel e apelando para agências reguladoras do governo. Mas isto, sinto muito, não é capitalismo de livre iniciativa nem aqui e nem na China. Isso é o que chamamos de “capitalismo entre amigos”, uma deturpação inaceitável do conceito que constitui uma gigantesca rocha no caminho do desenvolvimento de qualquer país livre.

Agora, se sua empresa reage à competição da mesma maneira que os sindicatos dos taxistas estão reagindo, eu torço com todas as minhas forças para que um maior número de empresas como o Uber surjam para deixar a sua empresa obsoleta o mais rápido possível.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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