Star Wars e o Despertar da Força da Disney!

Antes de tudo, vale ressaltar que apesar de constituir as primeiras impressões pessoais sobre o filme, o texto abaixo aborda questões específicas sobre a concepção e o visual do Despertar da Força, sendo, portanto, livre de spoilers!

Como fã de tecnologia, inovação e ficção científica como sou, eu não poderia deixar de mencionar Star Wars por aqui para fechar as postagens de 2015, uma vez que a saga muito provavelmente foi uma das primeiras influências que tive na formação de minha personalidade e o alvoroço que o lançamento está causando nos últimos dias praticamente me obrigam a escrever sobre o tema. Eu cresci vendo Star Wars e, a primeira vez que eu fui ao cinema sem a presença dos meus pais (lembro-me do gosto de liberdade que isso teve), foi justamente para assistir o episódio VI, O Retorno de Jedi.

Sem querer ser piegas ou nostálgico, características que eu confesso que não tenho, o que J.J. Abrams conseguiu fazer com maestria no Despertar da Força foi construir a magia presente nos 3 primeiros filmes que eu senti que foi um pouco perdida nos 3 últimos episódios (levando em consideração a ordem em que foram lançados). Não me levem a mal, eu gosto muito de todos os filmes e não considero nenhum deles ruim. Mas devo reconhecer humildemente que a tecnologia, não sem razão, deve ter fascinado George Lucas no início dos anos 2000, fazendo com que a computação gráfica fosse usada em excesso, na minha humilde opinião, perdendo um pouco do aspecto realístico e natural característico dos primeiros episódios.

Além do enredo divertido e empolgante, cuja revelação eu não farei por saber que tem muita gente que ainda não assistiu ao filme, o Despertar da Força recuperou o delicado equilíbrio entre os efeitos especiais clássicos e o uso de computação gráfica. Um exemplo disso está na criação do icônico BB-8, o novo androide de Abrams. Trata-se de um robô real com tecnologia fascinante que incorpora simpatia, humor e humanismo totalmente compatíveis com o velho R2D2, o qual foi um ícone fundamental de toda narrativa da saga. O carisma do novo androide é realmente contagiante, podendo facilmente desbancar o R2D2 neste quesito como podemos ver na reação do público ao ver a apresentação do BB-8 durante a Star Wars Celebration 2015:

É lógico que existem os aspectos do alívio cômico e do merchandising para vender brinquedos que a Lucasfilm e a Disney sabem fazer muito bem na criação deste personagem. Mas Abrams foi muito além disso na construção do BB-8, conseguindo transmitir emoção e personalidade com elementos muito simples, tal qual Wall-E foi capaz de fazer no filme homônimo de computação gráfica da Pixar. A diferença, todavia, foi a ocupação física no set de filmagem, interagindo com atores e construindo a narrativa em uma homenagem à atmosfera clássica dos filmes mais antigos sem deixar de aproveitar as vantagens da computação gráfica em outros momentos.

A tecnologia por trás do robozinho esférico teve suas origens nos investimentos da Disney em uma startup em 2014 chamada Sphero. A empresa já possuía um produto que era uma esfera de brinquedo controlada via iPhone. Christian Alzmann, concept designer da Lucasfilm, trabalhou em cima de um esboço de Abrams, o qual apresentava uma bola em cima da outra com um olho no meio (muito provavelmente, Abrams se inspirou ao ver o brinquedo, já que a Disney já havia registrado uma patente similar em 2010, dois anos antes de comprar a Lucasfilm). A partir do momento em que os esboços finais foram entregues para a Sphero, a empresa teve somente 10 meses para adaptar a tecnologia existente e incorporar novos elementos como bluetooth e a fantástica cabeça “flutuante” (obviamente, baseada na utilização de imãs especiais no interior da esfera). O resultado foi realmente fascinante como podemos ver no brinquedo logo abaixo:

A versão para o filme é bem maior e foi desenvolvida pelo departamento de Creature Shop da Lucasfilm, tendo 2 profissionais (Dave Chapman e Brian Herring) para controlarem o corpo e a cabeça separadamente. Sete versões diferentes do BB-8 foram produzidas com o objetivo de conseguir gravar todas as cenas que eles precisavam.

Curiosamente, os responsáveis pelo projeto do BB-8 não tiveram acesso ao roteiro do filme. Eles só foram orientados por uma lista de itens que BB-8 precisava apresentar para ocupar seu espaço na tela. “Nós não fazíamos ideia do quanto que o BB-8 apareceria no filme. Só depois percebemos que seu destaque era enorme”, declarou Matthew Denton, responsável pelo design eletrônico e desenvolvimento dos droides. E é claro que essa decisão estratégica também influenciou na performance do BB-8 em cena. Performance que é passível de ser verificada em todos os outros personagens, como se todos estivessem comungando de uma atmosfera mágica que Abrams e a própria Disney conseguiram criar.

Aliás, como visão de negócio, é preciso parabenizar a Disney pelas contínuas aquisições, incluindo as mais importantes dos últimos anos que foram as da Pixar, da Marvel e depois da Lucasfilm. Mesmo com o fim da saga original, a Disney conseguiu enxergar um enorme potencial na franquia, muito provavelmente depois de avaliar com muita cautela a enorme legião de fãs e a saga como um dos maiores produtos culturais do nosso tempo.

Mas não estamos tratando aqui da velha visão de um grupo de acionistas imediatistas fazendo total pressão para lucrar da forma mais fácil e rápida possível. Como eu tenho mencionado várias vezes neste blog, o dinheiro pode ser gasto da forma inadequada em projetos mal administrados sem um propósito grandioso guiando as operações do negócio onde o lucro é o único objetivo a ser considerado. E foi justamente isso que a Walt Disney Company esteve muito longe de fazer com o Despertar da Força. Preservando a cultura original de cada empresa comprada e as vezes até incorporando os valores dessas organizações em suas operações (não sem grandes dificuldades, obviamente, como foi o caso da forte influência da Pixar), esse poder de adaptação da Disney perante a cultura de empresas tão distintas tem surpreendido o mundo corporativo e, mais uma vez, parece ter sido este o caso com a aquisição da Lucasfilm. Trabalhando de forma extremamente competente em todos os aspectos do negócio, do respeito à legião de fãs à escolha do diretor, passando pelo marketing capaz de criar uma grande expectativa juntamente com o gigantesco merchandising envolvendo a marca Star Wars, o CEO Robert Iger não poderia estar em uma fase mais bem-sucedida de sua carreira. Batendo vários recordes de bilheteria, a empresa deve estar em festa com a enormidade de receita que está sendo gerada apenas com os filmes, alguns dos recordes cujos números eu citarei logo abaixo:

  1. Maior estreia de todos os tempos nos Estados Unidos, com US$238 milhões.
  2. Maior pré-estreia numa quinta-feira, com US$57 milhões.
  3. Maior bilheteria numa sexta-feira de estreia: US$120,5 milhões.
  4. Maior arrecadação por cinema numa estreia: US$57 mil por cinema.
  5. Filme que atingiu mais rápido a marca de US$100 milhões, em apenas um dia.
  6. Maior estreia mundial de todos os tempos em IMAX: US$48 milhões.
  7. Maior estreia doméstica de todos os tempos em IMAX: US$30,1 milhões.

Isso sem mencionarmos todo o merchandising envolvendo a marca Star Wars. Como forma de negócio, por exemplo, o BB-8 já é o brinquedo do ano lá nos Estados Unidos. E a empresa responsável pela fabricação do BB-8, a Sphero, não está conseguindo atender a enorme demanda do mercado pelo brinquedo. Na Amazon, por exemplo, o robozinho esférico não está mais disponível em estoque no momento em que eu escrevo esta postagem, custando apenas U$149,99.

É impressionante como a Abrams acertou a mão ao criar o BB-8, parecendo um velho amigo que sempre fez parte da saga. Essa equilibrada mistura entre a homenagem ao antigo e a incorporação de novos elementos está presente em tudo. E o interessante é que não é a primeira vez que J.J.Abrams consegue resgatar a magia dos filmes antigos. Em 2007, por exemplo, ele dirigiu o reinício da franquia Star Trek, apresentando os personagens da série original interpretados por um novo elenco e foi um sucesso de críticas, resultando inclusive em um Oscar de melhor maquiagem. E em 2011, ele escreveu e dirigiu o filme Super 8 com co-produção de Steven Spielberg, o qual é uma viagem aos anos 1980 e uma homenagem de Abrams a um de seus ídolos que é o próprio Spielberg, juntamente com George Lucas.

O fato é que agora, com o reinício da franquia Star Wars, Abrams mais uma vez mostra muita competência ao resgatar o melhor do cinema da minha infância com elementos novos, instigantes e bem construídos para gerar muita expectativa. E o BB-8, mais uma vez, sintetiza de forma cativante esse equilíbrio, esse casamento de forças antagônicas entre fã e diretor, cenografia e computador, passado e futuro e entre a Lucasfilm e a Walt Disney Company. Um equilíbrio que está no próprio conceito de Força da saga, a qual promete ser ainda mais emocionante do que tudo aquilo que já vimos, na minha humilde opinião.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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