Como a Cultura Pode Matar ou Salvar Sua Empresa?

spacex

Funcionários da SpaceX, a primeira empresa privada a desafiar seriamente o mercado da exploração espacial (até então dominado por governos) cuja forte cultura é diretamente atribuída ao seu líder, Elon Musk.

Um dos maiores problemas que as empresas enfrentam com o passar dos anos é a escala. Na medida em que elas crescem, a visão, a inspiração e a comunicação dos fundadores vão se perdendo cada vez mais pelo distanciamento natural dos novos integrantes com a origem da organização. Ao mesmo tempo, a pressão pelo maior lucro o mais rápido possível vai sendo progressivamente estabelecida conforme as necessidades cotidianas da empresa aumentam. E se esse cenário não for muito bem administrado, o resultado pode ser devastador para o seu negócio.

E é nessas horas que o fomento de uma cultura sadia passa a ser ainda mais visível e mais crucial. Mas antes de qualquer discussão mais aprofundada nessa direção, o que seria afinal a cultura de uma empresa?

Cultura empresarial

Como ocorre em regiões geográficas ou países, a cultura empresarial constitui a somatória das crenças e dos valores partilhados pelos indivíduos de uma organização que, inevitavelmente, reflete no desempenho geral de qualquer empreendimento. Essa somatória de valores e crenças forma o ambiente, a atmosfera do trabalho, a qual pode ser desde agradável, estimulante, inspiradora até desagradável castradora e deprimente.

O estabelecimento dessa atmosfera não está relacionado com nenhum fenômeno sobrenatural e não deve ocorrer ao acaso como infelizmente ainda acontece em grande parte das empresas no Brasil. Ela deve ser o resultado da influência direta dos líderes das empresas com sua capacidade comunicar os objetivos do negócio e inspirar as pessoas ao redor para trabalharem na concretização de tais objetivos o tempo todo. E isto está muito longe de se resumir às declarações por escrito da Missão e dos Valores da sua empresa, muitas vezes constituindo frases genéricas que não dizem nada e não inspiram ninguém. Essa influência deve estar presente em seu comportamento diário como líder de uma forma consistente e obstinada.

O sucesso dessa empreitada já começa na contratação das pessoas certas não apenas em termos de capacitação técnica, mas também em termos comportamentais. E esse esforço por parte das lideranças deve continuar conforme os colaboradores são treinados e adaptados à cultura da empresa. No começo, tais iniciativas são relativamente fáceis. Mas na medida em que as empresas crescem, elas precisam lidar com imensos desafios.

Os desafios do crescimento

O primeiro desafio é lidar com as necessidades de cada setor ou departamento. Cada grupo possui pessoas encarregadas de fazer as coisas corretas dentro do orçamento previsto, sendo afetado diretamente pela pressão de suas próprias metas de crescimento. Na ausência de uma cultura forte dentro da empresa, é extremamente comum a falta de uma visão cristalina sobre como suas decisões afetam o fluxo de trabalho de outros grupos dentro da mesma organização. E o descaso e a competição ao invés da cooperação passa a dar o tom das operações das empresas sem a proteção da cultura.

Em empresas com ambientes desagradáveis ou de culturas doentias, cada setor acredita que suas metas são mais importantes que as metas de outros grupos dentro da empresa. Cada setor ou departamento age dentro de seus próprios prazos e urgências, sendo comum a sensação de não haver uma responsabilidade muito clara pela qualidade final de um produto ou serviço. Como a margem de lucro de qualquer empresa depende em grande parte da eficácia com a qual ela utiliza sua mão de obra, a pressão pela eficiência do fluxo de trabalho é cada vez maior. Os funcionários de uma grande empresa de comércio eletrônico, por exemplo, vão trabalhar independentemente de ser uma Black Friday ou de haver compradores em maior ou menor grau comprando através da Internet. Os metalúrgicos de uma montadora vão estar na linha de produção independentemente do maior ou menor número de automóveis vendidos. Ou seja, os custos continuarão sua inexorável marcha e se os seus funcionários não estiverem empenhados em suas respectivas tarefas, sua empresa começará a perder receita. A saída, portanto, é pressionar para garantir a maior eficiência possível simplificando o processo ou elevando a produção, fazendo com que cada setor tenha que se concentrar em efetuar suas atividades da melhor forma possível. O problema é que, sem forças culturais compensatórias que trazem o equilíbrio entre as necessidades das partes e o desempenho do todo, essa pressão por alto desempenho pode começar a erodir sua empresa de dentro para fora.

Culturas vencedoras

Empresas com culturas fortes são caracterizadas pelo fomento do equilíbrio dessas forças. Prazos e metas devem ser cumpridos, obviamente, mas tudo dentro de um certo limite que não prejudique os valores gerais da empresa e não resultem em lutas internas por poder e controle. Se necessário, os prazos e as metas podem ser revistos mas jamais os valores da organização. Se esses valores não estão claros, se a visão sistêmica do negócio não é partilhada por todos, cada um fará o seu trabalho da forma como bem entender, sem se importar com o impacto que suas ações afetarão outras pessoas, outros setores e por fim a essência do negócio que é a satisfação do cliente final. Contudo, se tais valores são seguidos e respeitados, as pressões de cima para baixo jamais ultrapassarão a ética e o bom senso, preservando o ambiente de cooperação e de mútua proteção ao invés do fomento do individualismo destoante na forma de funcionários com mau caráter ou de chefes tiranos, por exemplo. Isso porque uma cultura forte e sadia logo detecta essas distorções e se encarrega de efetuar os ajustes antes que os problemas se espalhem em demasia. Por outro lado, empresas sem cultura ou com culturas doentias não possuem tais mecanismos de autodefesa, resultando em ambientes onde imperam a falta de união e a falta de ética. E a ética aqui é um componente vital para qualquer organização não apenas pelas óbvias questões morais, mas também por questões práticas de desempenho.

Uma empresa guiada pela ética sabe diferenciar o que deve ser feito daquilo que não deve ser feito, evitando caminhos incertos e otimizando recursos para esforços grandiosos e financeiramente promissores para o maior número de pessoas. Uma organização sem princípios éticos cultiva um péssimo ambiente de trabalho, resultando em baixo comprometimento, baixa qualidade, baixo controle, baixo gerenciamento, baixa entrega e, por fim, baixa competitividade no mercado.

É de responsabilidade dos líderes, portanto, fomentar e manter sempre acesa a chama da cultura de cada organização. É lógico que isso não eliminará os problemas, mas com certeza os deixará muito mais administráveis. E também é inútil pensar que as mudanças podem ser evitadas, pois não há crescimento sem mudanças. E em tempos de crise como os que estamos vivendo agora, as empresas com culturas fortes são aquelas mais aptas a sobreviver e crescer em um ambiente de incertezas, onde as únicas variáveis controláveis são aquelas dentro dos limites da sua própria organização.

Tempo de agir

Dentro desse espírito de autoavaliação em tempos de crise, o que você tem feito para fortalecer a cultura da sua empresa?

Nada?

Aproveitando a COP 21 (conferência climática que acontece agora, em Paris), a organização Here Now, que luta para que o mundo use 100% de energia limpa e renovável, criou a linda campanha em vídeo que eu repasso logo abaixo esperando que ela te inspire a fazer algo grandioso pela cultura da sua organização.

O vídeo “100% possible” (100% possível) mostra que, se as pessoas não sonhassem grande ou não se arriscassem, o mundo seria bem diferente. O que isso tem a ver com a cultura da sua empresa? Clique e descubra:

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

 

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