Inovação: Por Onde Começar?

Palestrante

Pequenas empresas não acostumadas com o processo de inovação podem ter dificuldades para começar. Isto porque o conceito de inovação é encoberto por vários mitos, não sendo difícil resultar em entendimentos subjetivos ou equivocados que atrapalham a tomada de iniciativa nessa direção. Embora não existam fórmulas ou técnicas únicas para gerar a inovação, aqui vão algumas sugestões para a sua empresa dar o pontapé inicial nessa empreitada.

Muito antes de lançar um produto ou serviço no mercado, as pesquisas de marketing devem se esforçar ao máximo para descobrir não apenas se os clientes estarão preparados para a novidade quanto inclinados à comprá-la. Para tanto, é necessário ter conhecimento sobre muitas variáveis, incluindo aquilo que chamamos de tendências sociais.

Tendências Sociais

Na postagem Tecnologia e Comportamento, por exemplo, eu citei o caso do sistema de teclas Dvorak para máquinas de escrever, o qual foi um fracasso de adoção mesmo apresentando benefícios aos usuários. E a razão disso foi a desconsideração de que um novo posicionamento das teclas em uma máquina de escrever exigiria um esforço para reaprender a digitar que as pessoas da época não estavam dispostas a empreender. Em outras palavras, o inventor não se atentou para o fato de que a novidade não estava em concordância com a tendência social da época. Assim como este exemplo, inúmeros outros casos de inovações fracassaram justamente pelo fato dos responsáveis terem ignorado o papel das tendências sociais no lançamento de seus produtos e serviços, as quais são de caráter comportamental e não de natureza técnica.

E é aqui que os caminhos entre invenção e inovação se separam, já que a inovação está atrelada à percepção de valor por parte do cliente, o qual conclui que vale a pena comprar um produto ou serviço com novas características no mercado. Neste sentido, toda inovação envolve algum tipo de melhoria ou invenção, mas uma invenção não necessariamente resulta em inovação. E a consideração das tendências sociais é o ponto de partida para não cair nessa armadilha.

Eis então uma breve explicação sobre a classificação das tendências sociais a seguir:

Novidades: geralmente ligadas a eventos esportivos, culturais ou midiáticos, os quais apresentam entre duas semanas e no máximo um mês de duração. Exemplo: a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), a qual causa um boom na venda de livros, gera movimento no setor editorial e promove a cultura literária.

Modas: demandas com duração entre uma temporada e um ano de existência. Exemplo: o personagem de uma novela de sucesso utilizando um adereço de roupa específico que gera um boom nas vendas deste tipo de produto.

Tendências: de um a cinco anos. Exemplo: o crescimento da gamificação, constituindo no uso de técnicas do design dos games em ambientes fora do contexto dos jogos eletrônicos como anúncios publicitários, eventos ou conteúdo de teor educacional.

Macrotendências: de cinco a dez anos, sendo dificilmente maiores do que isso já que a cada 7 anos os objetivos de vida de uma geração mudam de forma considerável. Exemplo: preocupação do público masculino com a aparência física, gerando oportunidades para as indústrias de roupas e cosméticos.

É claro que tais classificações não são fixas. Muitas tendências, por exemplo, acabam virando macrotendências e outras morrem antes do tempo. E essa instabilidade das tendências geralmente resulta em uma visibilidade tardia. Ou seja, muitas tendências sociais só são identificáveis quando estão no final de seus ciclos. Então, a saída não é encarar as tendências sociais como fontes precisas de informação e sim fontes de inspiração para o lançamento ou reformulação de um produto ou serviço. Como a criatividade é a mãe da inovação, o processo criativo já começa na busca pelas informações e de que forma esses dados serão utilizados em nossos respectivos segmentos. Depois, é preciso ser mais específico, considerando as famosas tendências de mercado.

Tendências de mercado

As tendências de mercado nada mais são que o resultado da análise das tendências sociais em conjunto com as inovações recentes em uma categoria de produto ou serviço. Por exemplo: Se você trabalha em uma empresa alimentícia e ela deseja lançar um macarrão instantâneo, é preciso analisar as tendências do mercado de alimentos, os lançamentos da concorrência, as inovações desse setor tanto em termos de formulação e textura dos produtos existentes quanto em termos de embalagem, de política de preços, de distribuição, de comunicação, etc.

Sua equipe pode perceber que a tendência do apelo por produtos com menos sódio tem sido cada vez maior no mercado de alimentos e, com isso, pode valer muito a pena levar isso em consideração na hora de desenvolver o tempero do seu macarrão instantâneo. Por outro lado, se o seu produto já está sendo comercializado, mas a nova embalagem do macarrão do seu concorrente está chamando mais a atenção na gôndola do supermercado do que a sua, é necessário inovar neste quesito também. Se a preocupação com o meio ambiente tem sido uma tendência social importante, repensar a embalagem para atender este tipo de apelo também pode ser a saída para a inovação do seu macarrão instantâneo em direção a um alimento mais saudável, sustentável e condizente com as tendências de mercado.

Afugentando os mitos

Outra questão que pode passar despercebida em relação à adoção da inovação é de que ela não precisa permanecer confinada ao produto em si. Em primeiro lugar, tendemos a achar que a palavra inovação está relacionada apenas à tecnologia de ponta, esquecendo de que invenções simples como a lâmina de barbear ou o carrinho de supermercado foram inovações criativas, mas não necessariamente representativas daquilo que havia de mais moderno em termos de tecnologia em seus períodos de lançamento. Em segundo, é possível inovar também no processo de compra, o qual envolve várias etapas que vão desde o reconhecimento de uma necessidade por parte do comprador, passando pela comparação entre marcas, decisão de compra, experiência de compra e comportamento pós-compra. A inovação pode envolver processos também ao serem levantados os dados de benchmarking ou outra fonte disponível de informação com o objetivo de aperfeiçoar o sistema de estoque, a linha de produção, a distribuição e com isso reduzir os custos e o tempo envolvidos. E por fim, as pesquisas podem resultar até mesmo na inovação do modelo de negócio da sua empresa, uma vez tendo sido constatado de que existe um nicho de mercado pronto para ser explorado, justificando uma mudança dessa envergadura.

Insights criativos em termos de inovação podem surgir ao se observar como os clientes compram o seu produto, qual é o tempo gasto buscando as informações para decidir entre sua marca e a marca de seu concorrente, a experiência de compra em si, o atendimento no pós-venda, etc. E até o preço, normalmente encarado como uma decisão pouco criativa do departamento financeiro, pode ser transformado em uma inovação para gerar vantagem competitiva. Um exemplo de uma estratégia inovadora neste sentido foi a criação dos combos na venda de fast food, vinculando diferentes faixas de preço às combinações de alimentos que pudessem facilitar a escolha dos clientes de uma forma relativamente rápida.

Mãos à obra 

Mas onde é possível encontrar todas essas informações? Felizmente, a Internet constitui a melhor relação custo/benefício em termos de pesquisa e muito das tendências sociais e de mercado pode ser descoberto através da grande rede hoje em dia. Blogs e fóruns de nicho, por exemplo, são fundamentais fontes de consulta, principalmente dos formadores de opinião (também conhecidos como os entusiastas, inovadores ou early adopters da Curva da Adoção de Inovação) que acabam sendo as pessoas que lançam as tendências. Muitas empresas oferecem pesquisas prontas na Internet como a trendwatching.com. Apesar de ser um serviço pago, o site oferece versões gratuitas de tendências básicas que podem ser um bom ponto de partida para quem quer inovar. E falando sobre tendências na Internet, uma boa ferramenta para monitorá-las é o Google Trends, o qual se baseia no comportamento de busca dos internautas para projetar tendências.

Todavia, depender apenas da Internet está longe de ser suficiente, sendo mais limitado ainda depender apenas das tradicionais pesquisas de opinião que, embora sejam recomendáveis, apresentam um custo que costuma ficar fora da realidade das pequenas empresas. É preciso sair a campo e observar o comportamento, as sugestões e as queixas dos seus clientes pois este tipo de levantamento in loco costuma ser mais barato e mais revelador.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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