O Poder da Visão de Uma Empresa

PalestranteNada mais depressivo do que passar por tempos de crise mas, ao analisar bem a nossa história, somos obrigados a concordar que os avanços mais significativos ocorrem justamente nos momentos de maior dificuldade. E apesar do Brasil estar passando por um momento extremamente ruim tanto termos políticos quanto econômicos (na verdade, ouço que o Brasil está em crise desde quando eu era criança), não existe um período mais crítico para qualquer nação do que os estados de guerra e de pós-guerra.

Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, uma jovem empresa japonesa lutava para continuar atuante em um mercado devastado pelos efeitos do maior conflito do bélico do século XX. Sobrevivendo de reparos de rádios de ondas curtas, sua mais recente invenção, uma espécie de panela elétrica, estava sendo um fracasso de vendas. Depois veio um leitor de fita magnética e o primeiro gravador magnético de fita de rolo, o qual pesava apenas 35kg (uma façanha para a época!). Mas ainda assim, as finanças da pequena empresa estavam deixando a desejar no mercado japonês em processo de recuperação do início dos anos 1950. Foi quando Masaru Ibuka, um dos fundadores, ficou fascinado com a recente invenção do transistor pela Bell Labs, laboratórios de pesquisa e desenvolvimento da AT&T, empresa criada por Alexander Graham Bell em 1877.

Ibuka montou um projeto para licenciar a recém tecnologia do transistor no Japão mas o Ministro da Indústria e do Comércio da terra do sol nascente negou o seu pedido. Ele achava que a pequena empresa não teria as condições de lidar com a recente tecnologia, desconfiança que não abateu os ânimos de Ibuka. Depois de muita insistência, o engenheiro japonês conseguiu convencer as autoridades em 1953 com uma visão muito ousada de fabricar o primeiro rádio a transistor do mundo. Sua visão era tão revolucionária que nem o pessoal da Bell Labs acreditava ser possível realizar tal façanha. Mas Ibuka era uma pessoa obstinada e conseguiu montar uma equipe com os melhores engenheiros do Japão. Mais do que isso, ele conseguiu engajar sua equipe com uma visão de futuro instigante para seus funcionários e para a sua empresa. Sua proposta era inspiradora porque, até então, os rádios eram fabricados com válvulas e eram enormes (pelo peso do gravador de fita de rolo, ainda que uma inovação para época, é possível ter uma ideia de como tudo era muito grande e pesado). A proposta de Ibuka era tirar vantagem dos transistores e, ao invés de enfocar apenas o desafio tecnológico, a mensagem para seu time continha um forte apelo emocional: “vamos produzir o primeiro rádio de bolso do mundo!”

Em 1955, apenas 2 após ter recebido o sinal verde do governo japonês, a empresa lançou o TR-55, o primeiro rádio portátil do Japão e, em 1957, o TR-63, o primeiro rádio de bolso do mundo com incríveis 112 x 71 x 32 mm e 300 gramas! O produto foi um sucesso estrondoso de vendas, tendo sido exportado para vários países.

A história de Masaru Ibuka é inspiradora porque levanta a discussão da importância da visão do líder para engajar a equipe e superar os obstáculos de todos os dias nas empresas. Produzir um rádio a transistor, para o panorama da época, já era um desafio técnico suficientemente grande. Ibuka, porém, ultrapassou as barreiras práticas ao destacar o benefício e não as características técnicas do produto a ser produzido, da mesma forma que Steve Jobs fez ao anunciar que o iPod nada mais era do que 1000 canções em nosso bolso, quase 50 anos depois do desafio japonês também ter colocado uma tecnologia em nosso bolso.

Esse é o poder da visão de uma empresa. A visão, na verdade, é um norte, um destino, uma visão de futuro que deve ser comunicada de forma convincente e constante e não apenas uma declaração de objetivos em um quadro esquecido no corredor de uma empresa (situação que, muito infelizmente, é extremamente comum). Ela deve estar viva, pulsante, presente o tempo todo na boca e, principalmente, no comportamento dos líderes. E a forma como a visão é comunicada também faz toda a diferença do mundo. Isto porque o cérebro não presta atenção em coisas enfadonhas, tendo chances bem menores de convencer as pessoas se for comunicada de forma confusa e pouco inspiradora. É papel do líder, portanto, contar histórias, fazer apresentações, lembrar e relembrar sobre as razões que fazem as pessoas estarem ali reunidas por meio da comunicação objetiva, cativante e inspiradora.

Agora, para que a visão seja inspiradora ela deve ser grande. Então, esqueça os planos modestos: eles não terão energia o suficiente para engajar as pessoas. A visão tem que ser a imagem de um mundo melhor que o seu produto ou serviço torna possível. Nada menos do que isso interessa! E ela deve satisfazer 3 critérios básicos: ser especial, concisa e constante. E ela deve ser comunicada de forma a mostrar como as pessoas podem fazer história juntas. Tem pouco a ver com fluxo de caixa, marketing e tecnologia e tem muito a ver com a venda de um sonho e não de um produto. O produto tem que ser a prova tangível de que a visão é um sonho vivo e de que os líderes acreditam nela cegamente. Do contrário, as chances da sua empresa virar mais uma entre tantas serão monstruosas.

E o mesmo é válido para a situação político-econômica do Brasil. Precisamos de líderes na verdadeira acepção da palavra (falsos líderes nós já temos para dar, vender e exportar), os quais devem ter a rara e sofisticada capacidade de mostrar como todos nós podemos fazer história juntos. Líderes do porte de John Kennedy, por exemplo, o qual foi capaz de inspirar uma nação inteira a unir forças para colocar o primeiro homem na Lua em menos de uma década. São de pessoas assim que precisamos desesperadamente, seja em nosso país, seja em nossas empresas; seja em períodos de desenvolvimento e, mais crucialmente ainda, em tempos de crise como exatamente agora. Quem tem a coragem, o caráter, a nobreza, a grandeza e a inteligência à altura do desafio para se habilitar?

Mas alguns de você podem estar se perguntando: qual era afinal a empresa de Masaru Ibuka? Bom, para quem não se ligou na marca que aparece na foto do TR-63 logo acima, tratava-se de uma tal de SONY CORPORATION

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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