O Mundo Não Deve Nada a Você

Palestrante

Uma pesquisa recente da Isma Brasil (International Stress Management Association) revelou que 72% das pessoas estão insatisfeitas com o trabalho. A insatisfação está relacionada com a falta de reconhecimento (89% dos casos), com o excesso de tarefas (78%) e com problemas de relacionamento (63%). A pesquisa foi realizada em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, totalizando 1.034 profissionais ativos no mercado de trabalho em 2014 (fonte: G1).

São números assustadores por um lado mas que, por outro, não soam como uma novidade. Há muito tempo que eu venho escrevendo sobre os problemas no ambiente de trabalho e, entre algumas postagens relacionadas ao tema, eu destaco, Como Fazer Dinheiro, Sua Empresa Promove a Segurança?, Motivação e Liderança, Liderança e o Poder da Comunicação, A Revolução do Capitalismo ConscienteFeliz Segunda-Feira!, dentre muitas outras.

De fato, o ambiente de trabalho necessita de mudanças profundas e urgentes e a existência deste blog assim como da própria Afronta Marketing estão intimamente relacionadas com essa triste constatação. Mas como eu já exploro bastante esse assunto pela perspectiva das empresas, permitam-me fazer aqui o papel de advogado do diabo em relação à falta de reconhecimento no trabalho por parte do papel do insatisfeito nessa equação. Será que tudo o que reivindicamos possui razão de ser? Será que sempre fazemos por merecer?

Eu sei. Tudo parece orbitar ao nosso redor: a abordagem assistencialista do Estado, a ideologia socialista que sataniza o mundo empresarial e as condições geradas pelo pensamento capitalista predominante contribuem para a crença cultural de que a vida nos deve recursos, atenção, reconhecimento, direitos e respeito. Soma-se a isso, ainda, a problemática da altíssima carga tributária em contraste com a péssima qualidade dos serviços públicos deste país, situação que amplifica ainda mais a percepção de todas as necessidades anteriores. E é óbvio que muitos profissionais levam, mesmo que inconscientemente, este tipo de visão de mundo para o ambiente de trabalho. Até a expressão “ganhar dinheiro” parece atrelada a esse conceito de que alguém nos deve um favor, ao passo que a expressão inglesa “fazer dinheiro” carrega um sentido muito mais proativo e alinhado com o conceito de capitalismo de livre inciativa que muitos desconhecem. E a palavra iniciativa, por aqui, não é um mero acidente do acaso.

Por questões inclusive culturais, somos criados desde a infância para sermos no máximo bons profissionais em busca de boas oportunidades de emprego. O empreendedorismo só recentemente vem ganhando espaço na mídia, principalmente na Internet e muito ainda precisa ser feito para o Brasil ser um país de empreendedores capazes de constituir a principal mola propulsora de uma economia vigorosa. E mesmo sendo apenas um colaborador sem ter a menor intenção de se tornar um empreendedor, noções sobre empreendedorismo podem ser úteis sim para a sua carreira, principalmente no que se refere às características de liderança que todo empreendedor deve ter. O conceito de empreendedor interno surgiu justamente para cobrir essa lacuna nas empresas, tentando gerar mais iniciativa e responsabilidade nas organizações. Isto porque a realidade nua e crua reside na seguinte constatação:

O mundo não deve nada a você.

Tanto o mundo quanto mais paradoxalmente ainda o universo já existiam há um tempo absurdamente gigantesco antes de você nascer. Então, tome cuidado. É você que deve à essa plataforma planetária que, mesmo proporcionando um ambiente com péssimas condições iniciais, permitiu que você surgisse por aqui de uma forma ou de outra. Dentro dessa perspectiva de inversão entre causa e efeito, quais são problemas que você resolve? De que maneira a sua existência é útil para o ambiente ao redor? De que forma aquilo que você faz justifica a sua existência neste mundo?

Essas perguntas são a fonte de todo empreendedorismo digno da acepção da palavra, seja ele interno ou externo. São indagações incômodas que tocam fundo na ferida que muita gente esconde e poucos são aqueles que resolveram curá-la ao assumirem que são os únicos responsáveis pelos seus sonhos. E se o ambiente da sua empresa não permite que você exerça a sua missão no mundo, talvez seja a hora de procurar por outra empresa ou, quem sabe, construir a sua própria…

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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Um comentário em “O Mundo Não Deve Nada a Você

  1. Excelente esta matéria “O Mundo não deve nada a você”. Para ser lida e meditada. E não só… Atitude sim/não e auto-definição são conseqüências. Destaque para: …”Tanto o Mundo quanto mais paradoxalmente ainda o Universo já existiam há um tempo absurdamente grande antes de você nascer. Então é você que deve à essa Plataforma (não digital, mas planetária) que, mesmo proporcionando um ambiente com péssimas condições iniciais, permitiu que você surgisse por aqui de uma forma ou de outra. Dentro dessa perspectiva de inversão entre sujeito e objeto, quais são problemas que você resolve? De que maneira a sua existência é útil para o ambiente ao redor? De que forma aquilo que você faz justifica a sua existência neste mundo?
    Essas perguntas são a fonte de todo empreendedorismo digno da acepção da palavra, seja ele interno ou externo. São indagações incômodas que tocam fundo na ferida que muita gente esconde e poucos são aqueles que resolveram curá-la ao assumirem que são os únicos responsáveis pelos seus sonhos.”…

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