Liderança e os Jargões da Moda

Palestrante

É sabido que uma ideia brilhante comunicada de uma forma medíocre está fadada ao fracasso, tanto é que muitas pessoas com ideias promissoras terminam no ostracismo pela sua incapacidade de se comunicar de um jeito inspirador e eloquente. Do mesmo modo, uma ideia brilhante trafegando em um ambiente medíocre tende a desaparecer pela falta de capacidade da equipe em reconhecer a importância da ideia e depois nutri-la da maneira adequada para gerar inovações. E o uso frequente dos jargões da moda na comunicação corporativa tende a esconder, na esmagadora maioria dos casos, personalidades desprovidas de autenticidade, as quais buscam nas palavras em alta no universo dos negócios uma sustentação artificial para seus argumentos medíocres.

Tanto no mundo do marketing quanto no ambiente de negócios, é angustiante observar o uso de palavras consagradas que por si só não são maléficas mas, devido ao seu uso excessivo (muitas vezes como o resultado de um sucesso em um passado longínquo), tendem a cair vala comum de palavras que perderam a ligação com seu significado original. Palavras ou termos como qualidade, excelência, soluções, agregar valor ou satisfação do cliente, por exemplo, são tão mal empregadas em tanta profusão que chegam a funcionar como tapa-buraco de apresentações inexpressivas e de discursos vazios. Outro termômetro para este tipo de problema são as descrições de Missão e Visão nas empresas, muitas das quais constituem apenas parágrafos com explicações genéricas que não expressam nada e não inspiram ninguém, podendo ser facilmente encaixados nas descrições de outras organizações. E muitas pessoas no papel de liderança e não líderes de fato (problema muito mais visível na esfera pública do que na privada deste país) tendem a tomar emprestado de publicações ou mídias especializadas os termos mais em voga do momento como forma de parecerem relevantes e atualizados e o efeito acaba sendo justamente o contrário.

A repetição de palavras feito papagaio apesar de ser um vício óbvio em uma camada mais superficial, esconde mazelas bem mais sérias em níveis mais profundos como o fomento do descrédito e da falta de engajamento entre os colaboradores, os quais nem ouvem mais aquilo que é extremamente necessário ouvir. Além disso, esse tipo de comportamento está estreitamente ligado à falta de personalidade não somente dos dirigentes mas da empresa como um todo que pode ser vítima de uma cultura fraca ou até mesmo de uma cultura negativa. Na prática amplamente disseminada de seguir ou até mesmo copiar a concorrência, a maioria das empresas se perde no oceano de mesmices ao invés de lutar para encontrar uma causa própria, uma voz única, uma personalidade singular alimentada de dentro para fora ao invés de influenciada de fora para dentro por aquilo que julgamos ser “o mercado”.

É de responsabilidade dos líderes garantir que as palavras permaneçam ligadas aos seus significados mais grandiosos assim como é sua tarefa manter a chama da visão da empresa sempre acesa. Não se trata, porém, do cuidado em utilizar um Português mais sofisticado para parecer intelectual, superior ou em condições de exercer comando. Também não estou querendo dizer que o uso de um vocabulário mais sofisticado deva ser evitado com o intuito de nivelar o entendimento dos colaboradores por baixo. Tudo depende do contexto, mas o fator inegociável aqui é nutrir as pessoas com as palavras que tenham significado real dentro da missão única da sua organização, a qual só gerará resultados se for grandiosa e inspiradora ao invés de enfadonha e vazia de propósito.

Uma outra palavra muito desgastada mas que é crucial em seu sentido mais profundo por aqui é “integridade”, termo cujo conceito cada vez mais em desuso é “comportamento perfeitamente alinhado com o discurso”. E escrevo isto porque a integridade coroa toda esta postagem como um objetivo a ser incansavelmente buscado pelos líderes realmente dignos desta denominação. Quando isto começar a acontecer, a narrativa da história da sua empresa terá uma identidade própria, onde o uso de palavras como qualidade e excelência poderá até ser bem-vindo. Nesse contexto de autenticidade da marca da sua empresa, a utilização de tais termos passará a fazer todo o sentido do mundo.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing

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4 comentários em “Liderança e os Jargões da Moda

  1. Prezado Márcio, sempre acompanho seus post que por sinal são inteligentes e oportunos. Porém na minha humilde opinião, a foto do texto ofende todo o seu blog. Apesar de entender o contexto do momento, pela minhas opiniões muitas vezes “radicais” sobre política e sobre esse partido , eu jamais colocaria uma foto dessa. Continuo acompanhando seu blog e desejando que façamos desse pátria um lugar livre de conchavos, arrumados e com um futuro mais promissor.

    1. Bom dia Tavares.

      Eu quis fugir do lugar-comum ao usar fotos genéricas como sempre faço e a segunda razão foi puramente irônica e provocativa. Mas deixa eu entender melhor: você acredita que esta foto marca negativamente o meu blog? Passa uma impressão de apoio ao governo ao invés de ironia?

      Obrigado por comentar.

      1. Entendi perfeitamente o sentido da ironia no post.Quando disse sobre ” marcar negativamente” é porque considerando tão desprezível que é essa “Presidanta” ,e toda a corja que à acompanha,penso sim que uma foto como essa mancha sua imagem. Eu jamais usaria uma foto dela no meu blog.Forte abraço e vamos em frente !

      2. Rs… Também compartilho da sua indignação Tavares e acrescento que o nosso país estaria bem melhor se esse “espírito de revolta” fosse mais disseminado em nosso povo. O nome “afronta” também carrega muito dessa indignação contra o status-quo.

        Obrigado mais uma vez!

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