Lucro e Ética

Palestrante

Você conhece a seguinte frase?

“Conte uma mentira inúmeras vezes até ela se tornar realidade.”

Pois é… Temos sido doutrinados por uma narrativa mentirosa tão amplamente difundida por tantas gerações que poucas pessoas conhecem a realidade dos fatos. Embora seja desagradável afirmar que provavelmente você tem sido enganado desde quando nasceu, esta mentira, para quem acompanha este blog, sabe que se trata do lucro como o objetivo dos negócios que eu já critiquei em várias postagens e acho necessário ampliar essa perspectiva por aqui.

Para começar, existe uma mentira secundária em parte derivada da primeira e em parte com raízes em certas crenças religiosas cujas pregações descrevem o dinheiro como algo mau, nefasto, negativo e até diabólico ao longo da história da humanidade. Esta percepção distorcida do capitalismo é geralmente alimentada nos setores menos favorecidos da sociedade, inclusive como forma de justificar as privações típicas destas terríveis circunstâncias. E mais paradoxalmente, certos nichos intelectuais com pessoas em condições muito melhores não apenas enxergam o lucro desta forma negativa como também ajudam a disseminar ideias que reforçam ainda mais a defesa do sistema socialista por um lado e a demonização do lucro por outro (leia a postagem Socialismo e Capitalismo para uma exploração mais detalhada deste ponto).

Esta visão equivocada do lucro cria a ilusão maniqueísta de que, de um lado, as empresas privadas são necessariamente gananciosas, exploradoras e perversas, ao passo que ONGs e governos são necessariamente bons. Só no Brasil, para situar o foco, temos exemplos de sobra do quanto esta visão simplista da realidade deve ser substituída por um pensamento muito mais amplo sobre o funcionamento do mundo dos negócios com a máxima urgência. E o terceiro setor também sai perdendo muito com este tipo de percepção negativa do capitalismo e do lucro, sendo o próprio termo “organizações sem fins lucrativos” uma péssima forma de identificar este tipo de negócio. Sim, você leu bem: este segmento tem que ser visto como negócio ao contrário daquilo que o paradigma predominante determina, na maioria das vezes subsidiado pelas influências religiosas citadas anteriormente.

Para explorar este pensamento retrógrado que impede o desenvolvimento do terceiro setor, assista a fantástica palestra de Dan Pallotta logo abaixo, a qual transforma radicalmente a maneira de enxergar o universo da caridade, das doações e das ONGs:


Definitivamente, o lucro não é e nem nunca foi algo ruim. Muito pelo contrário: ele cria prosperidade, riqueza e algo ainda mais importante que é a geração de transformações. O dinheiro é o maior combustível do progresso que o mundo já conheceu. Sem ele, jamais teríamos avançado tanto como civilização. Porém, a inversão do posicionamento do lucro, o qual passou de resultado à causa das empresas existirem no pensamento predominante das pessoas vem acarretando uma infinidade de problemas na sociedade moderna, sendo inclusive péssimo para os próprios negócios em uma perspectiva de longo prazo.

Mas movimentos recentes como o do Marketing 3.0 e do Capitalismo Consciente subvertem o paradigma predominante apresentando propostas de modelos de negócios onde todos os envolvidos saem ganhando: clientes, funcionários, fornecedores, acionistas, sociedade e meio ambiente. Nestes modelos inspirados pela essência do capitalismo de livre iniciativa, as trocas entre os diferentes envolvidos são voluntárias: nenhum cliente é forçado a comprar, nenhum funcionário é forçado a vender, nenhum fornecedor é forçado a fazer negócio e nenhum acionista é forçado a investir. As pessoas investem tempo, trabalho e dinheiro em modelos de negócio como estes porque acreditam na proposta da empresa e não porque são manipuladas, exploradas ou coagidas, gerando um legítimo senso de valor e ética. E olha que interessante: valor e ética geram muitos lucros!

A ética é um ingrediente fundamental na movimentação dos negócios. Uma empresa guiada pela ética sabe diferenciar o que deve ser feito daquilo que não deve ser feito, evitando caminhos incertos e otimizando recursos para esforços grandiosos e financeiramente promissores para o maior número de pessoas. Uma organização sem princípios éticos fundamenta seus negócios na exploração dos recursos naturais e das pessoas ao redor para favorecer interesses muito particulares que, invariavelmente, serão insustentáveis ao longo do tempo. Com uma mentalidade voltada para o lucro rápido acima de todas as outras variáveis, organizações deste tipo cultivam um péssimo ambiente de trabalho, resultando em baixo comprometimento, baixa qualidade, baixo controle, baixo gerenciamento, baixa entrega e, por fim, baixa competitividade no mercado.

Nesta semana eu recebi uma ligação de um grande banco com o objetivo de vender os serviços de um cartão de crédito. Com uma abordagem bem invasiva, fui bombardeado com informações vomitadas e um ímpeto de venda forçada que, com certeza, foi inspirada por algum tipo de programa de treinamento. Após minutos de insistência desrespeitosa, uma vez que fui bem claro desde o início que não estava interessado, comecei a ficar mais irritado com a vendedora e fui perdendo a paciência até conseguir interrompê-la usando um tom de voz agressivo para dizer que ela estava simplesmente perdendo o tempo dela e o meu com uma atitude que mais parecia uma extorsão do que uma venda.

Conclusão: passei a odiar automaticamente este banco, resultado completamente oposto daquele que os líderes da empresa esperariam alcançar.

Procedimentos antiéticos para a venda embora sejam cada vez mais comuns são o resultado de uma visão completamente distorcida do capitalismo e do mundo dos negócios, começando com o lucro acima de tudo, acima inclusive da ética e do respeito ao consumidor. Há uma maldita meta a ser batida e isto será conseguido mesmo que os clientes saiam prejudicados nesta transação.

E não se engane: não acredite nesta falácia de que o sistema capitalista ou as empresas são inerentemente maus. São os líderes (pessoas de carne e osso) que obrigam os funcionários a passarem por cima da ética feito rolos compressores.

Você tem noção de quantos clientes a sua empresa tem perdido com este tipo de abordagem?

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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