Visão de Inovação ou Inovação de Visão?

Palestrante

Em 1978, o britânico James Dyson estava descontente com a contínua perda de força de sucção de seu aspirador de pó. Ao abrir o aparelho para verificar qual seria o problema, deu-se conta de que o pó acumulado no saco descartável diminuía a potência do eletrodoméstico. Vendo que este era um problema generalizado em todos os modelos do mercado, Dyson trabalhou com uma perseverança insana em 5.126 protótipos durante 5 anos até conseguir chegar em um modelo de aspirador de pó de ciclone duplo, o qual eliminava a necessidade de um saco recolhedor de pó!

Legal, não é mesmo?

Mas não pensem que após finalizar sua invenção e depois apresentá-la para os fabricantes do seu país ele ganhou fortuna imediata com sua invenção amada. Nada disso. Todos rejeitaram sua inovação, inclusive a Hoover, a qual mesmo admitindo que o aparelho funcionava muito bem, justificou a rejeição com uma eventual perda de receita na venda de sacos descartáveis para aspiradores de pó. Frustrado mas ainda incrivelmente persistente, Dyson resolveu abrir sua própria empresa e ofereceu sua invenção para os consumidores do Japão através de catálogos. Aos poucos, o aparelho começou a encantar os japoneses, tornando-se um verdadeiro sucesso de mercado local. Tempos depois, o aspirador de ciclone duplo começou a penetrar no mercado britânico e cresceu em participação até alcançar a tão sonhada posição de liderança, ultrapassando a Hoover em número de vendas. Hoje, a Dyson está presente em mais de 65 países e além de aspiradores de pó ela fabrica aquecedores, ventiladores e umidificadores com tecnologia inovadora e design super arrojado.

Ao ser questionado sobre as razões que levaram a empresa a rejeitar a invenção de Dyson, um dos executivos da Hoover disse que eles deveriam ter comprado sua ideia e depois exterminado o projeto. Assim, eles teriam banido tal invenção da face da Terra e o domínio da Hoover permaneceria inalterado.

Péssimo, não?

Quantos executivos deste tipo o Brasil possui? Na falta de dados estatísticos, incontáveis seria a resposta menos errada. Isto porque executivos com propósitos maiores do que eles mesmos constituem a exceção e não a regra nos negócios do mundo moderno. O normal é ignorar as oportunidades, manter privilégios, deixar os acionistas imediatistas felizes, fazer o mínimo de esforço e exterminar a concorrência, se possível tudo ao mesmo tempo. E foi com a construção de castelos de areia como este que empresas como Compaq, Enron, Pan Am, Blockbuster, Kodak, Texaco, dentro outras, viram seus mercados serem tomados não necessariamente pelos seus maiores concorrentes, mas as vezes por inovadores modestos recém-chegados no mercado.

Palestrante

A Apple, por exemplo, surgiu em uma garagem de Los Altos, Califórnia, quando a IBM reinava quase sozinha no mercado de computadores, até então projetados para atender apenas empresas e universidades. E enquanto a Apple e a Microsoft estavam muito ocupadas brigando entre si, ninguém deu a mínima para o surgimento “de um tal de Google”. E assim a inovação vai fazendo história, deixando os executivos rodas-presas para trás da mesma forma que James Dyson fez. E o que é passível de percepção nessas empresas disruptivas além da assombrosa persistência é a capacidade do líder de comunicar uma visão muito forte em todas elas. Ao contrário do senso comum de missão, visão e valores, os quais são, na esmagadora maioria das vezes, declarações corporativas genéricas que todos esquecem e não inspiram ninguém, sua empresa precisa aprender a nutrir uma visão irresistível para seus próprios funcionários.

Em resumo, uma visão é a imagem de um mundo melhor que seu produto ou serviço torna possível. E ela tem que ser necessariamente consistente, convincente e encarada como um culto a ser continuamente pregado pelo líder. Por isso, sua empresa deve evitar a todo custo ser uma empresa convencional, cuja analogia com um templo não deve ocorrer porque seus funcionários tem a obrigação de comparecer ao culto diário, mas sim porque as pregações do líder são inspiradoras e convincentes. Vocês acham que seus colaboradores gostam de trabalhar para um líder reativo, o qual só reage aos movimentos da competição ao invés de se concentrar no futuro da empresa? Vocês acreditam que é agradável ser arrastado por um líder que muda de opinião de acordo com a “ideia fantástica da semana”, sem um destino claro a ser perseguido a longo prazo?

Uma cultura de inovação não pode existir sem visão. Foi assim com Ford, Kennedy, Lucas, Jobs, Dyson, Branson, Brin, Page e tantos outros. Essas visões foram capazes de superar todo o ceticismo, rejeições e descrenças e por fim prevaleceram. Prevaleceram porque foram tão inspiradoras que incentivaram as pessoas a darem o melhor e não o pior de si mesmas na construção do projeto que elas representavam. Então, esqueçam esta ideia de uma missão genérica e trabalhem em cima da visão autêntica de suas empresas. De que forma você pode construir um cenário futuro e convencer as pessoas de que vale a pena lutar para chegar lá?

Foi a visão de futuro o fator decisivo que diferenciou Dyson do executivo da Hoover. O primeiro tinha visão de inovação, mas o segundo não. Isto porque a visão de inovação é consequência natural da inovação de visão.

De que lado você quer estar?

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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2 comentários sobre “Visão de Inovação ou Inovação de Visão?

  1. A inovação também é transformar as coisas para melhor e com o foco de ajudar as pessoas. Foi o que Dyson fez!

    • Exatamente Carlos. A inovação só pode ser considerada como tal se as pessoas adotam o produto, se os consumidores consideram que ele resolve um problema real ou que vale a pena comprar. Do contrário, será simplesmente uma invenção. E o Dyson entendeu isto muito bem. Obrigado por comentar.

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