Sua Empresa Promove a Segurança?

Palestrante

Não. Não estou escrevendo aqui sobre o conjunto de normas e procedimentos com o objetivo de minimizar os acidentes de trabalho e nem tampouco indagando se o patrimônio da sua empresa está segurado. Estou perguntando se os seus colaboradores confiam na sua empresa ao ponto de sentirem-se plenamente seguros dentro dela. Isto porque quando a política de extrair o máximo e entregar o mínimo passa a ser regra e não a exceção no mundo dos negócios (filosofia geralmente herdada das pressões verticais pelo lucro imediatista de acionistas de curto prazo), o resultado é um ambiente de trabalho altamente estressante. Em tais condições, colegas passam a ser concorrentes, chefes passam a ser inimigos e a organização apenas uma forma de garantir o salário no início de cada mês às custas da nossa saúde mental e física.

Conhece bem esta história? Pois é… infelizmente ela é muito comum.

Em ambientes onde impera o medo, todos trabalham para proteger os seus próprios traseiros ao invés de trabalharem pelos seus clientes, pois se sentem ameaçados o tempo todo pelo sistema do qual fazem parte. Jack Welch, CEO da General Electric entre 1981 e 2001, por exemplo, é cultuado como referência em gestão e liderança no mundo dos negócios. Todavia, o que pouca gente sabe é que ele criou um sistema altamente estressante para seus funcionários, premiando aqueles 20% mais produtivos com promoções e outros benefícios mas também demitindo os 10% menos produtivos. Embora aparentemente lógico, este sistema de punições e recompensas criou uma tensão muito grande dentro da empresa pois como o ser humano tende a esperar pelo pior, todo mundo se perguntava se não estaria entre 10% menos produtivos, criando uma pressão e stress que promoveram a insegurança dentro da empresa. E como consequência, os responsáveis pelas novas contratações passaram a evitar os melhores candidatos com medo de incentivarem suas próprias demissões.

Por outro lado, Herb Kelleher, co-fundador da disruptiva Southwest Airlines, decidiu seguir a direção oposta da predominância da insegurança no ambiente de trabalho. Quando perguntado sobre qual era o segredo do sucesso da sua companhia, ele respondeu: “os empregados vêm em primeiro lugar. Se eles são tratados da maneira correta, eles tratam o mundo exterior da maneira correta, fazendo as pessoas voltarem a comprar os produtos da empresa e isso mantém os acionistas felizes.” Para quem não sabe, a Southwest Airlines é a maior empresa aérea com foco em baixo custo do mundo. Com sede em Dallas, Texas, USA, possui 630 aeronaves com 91 destinos e mais de 44,831 funcionários (dados de 2013). Não se trata, portanto, de conversinha idealista de uma empresa qualquer…

O avanço de qualquer grupo ou sociedade é necessariamente embasado pelo cultivo da confiança e da segurança. Como animais sociais, precisamos uns dos outros para sobreviver desde o início dos tempos, quando as habilidades de trabalho em grupo muito provavelmente fizeram a diferença entre a sobrevivência do Homo-Sapiens e a extinção do Homem de Neanderthal. Do ponto de vista da sobrevivência mais básica, é natural pensar que enquanto nossos antepassados dormiam nas cavernas, outros montavam guarda contra possíveis predadores e até contra outras tribos que pudessem representar uma ameaça à integridade do grupo. Outras situações como o trabalho em conjunto para efetuar uma caça ou a divisão de tarefas sociais também teriam sido decisivas para a sobrevivência do grupo no caminho da evolução. Fica claro, portanto, que sem uma relação de confiança entre os membros da tribo, tais organizações sociais jamais teriam existido e muito provavelmente não estaríamos por aqui neste exato momento.

O mundo ao nosso redor mudou radicalmente desde então, mas o nosso comportamento instintivo continua a agir da mesma forma, só que agora fazemos parte de outros tipos de grupos: nossa família, escola, trabalho e assim por diante. E quando no trabalho não podemos confiar em “quem deveria estar montando guarda”, o resultado é o stress e a pressão de um ambiente inseguro que ameaça nossa própria sobrevivência. A única diferença é que os animais selvagens e as outras tribos foram substituídos pela burocracia, pelos colegas traidores, pelos chefes tiranos, pelas condições insanas e pela a concorrência desleal.

Quando estamos em ambientes seguros, a liberdade para agir, criar e servir nossos clientes surge como consequência natural. Sem confiança, todos são inimigos em potencial e tudo trabalha contra a produtividade. Uma organização com funcionários inseguros está fadada a ser atacada e até mesmo exterminada por conta das fraquezas dentro da sua própria tribo. E aí eu te pergunto:

Quem protege sua empresa quando todo mundo está dormindo?

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