Toda Empresa Vende Serviço

Palestrante

Muitas empresas de pequeno à médio porte deduzem que um bom plano de marketing pode fazer milagres. Como se fosse a tábua de salvação de seus negócios, acreditam que um plano de marketing é capaz de mascarar um produto ou serviço de baixa qualidade e, quando as campanhas não surtem o efeito desejado, jogam a culpa nas ações de marketing pela queda nas vendas.

Cuidado!

Um produto ou serviço ruim não pode ser salvo por um bom plano de marketing. Aliás, ações de marketing muito bem executadas com um produto ruim servem apenas para acelerar o fracasso do seu negócio. Isto porque os clientes insatisfeitos espalharão a notícia de que seu produto não presta e de uma forma viral para o seu mais absoluto desespero. E o problema reside justamente no amadorismo e às vezes até na má intenção das empresas em utilizar a manipulação das pessoas sob a alegação de que estão fazendo marketing. Muito frequentemente, deduzem apressadamente que marketing se faz apenas no momento da comunicação com uma boa campanha publicitária, quando na verdade já começa no desenvolvimento de um produto ou serviço. E o nível básico de entendimento sobre o papel do marketing no mundo dos negócios envolve a compreensão da dinâmica das necessidades de mercado, do amplo conhecimento da concorrência, das particularidades do nicho a ser atendido e da forma de comunicação adequada para atrair a atenção e depois converter tal atenção em vendas.

Um dos papas do marketing atual, Philip Kotler, é um dos expoentes do conceito de Marketing 3.0, o qual ressalta a necessidade das empresas reverem suas abordagens de marketing diante das mudanças que a sociedade e o mercado vêm apresentando nas últimas décadas. Com um mundo muito mais informado, interconectado, com consumidores ativos e com a comunicação descentralizada, as velhas estratégias de marketing precisam ser revistas para entregar valor de verdade e não apenas fingir entregar valor. Para tanto, eis um panorama resumido das 3 fases do marketing segundo Kotler que ampliam esta abordagem e enfatizam a urgência do alinhamento com o Marketing 3.0:

Marketing 1.0 = Marketing centrado no produto, tendo sido a primeira e mais óbvia abordagem das empresas para gerar lucro.

Marketing 2.0 = Marketing centrado no consumidor, sendo a evolução natural do Marketing 1.0 para o foco nas necessidades de consumo das pessoas e com isso gerar lucro.

Marketing 3.0 = Marketing centrado no ser humano, tendo como contrapeso à lucratividade a responsabilidade corporativa, resultando em bem-estar, riqueza e sustentabilidade.

Desta forma, fica claro que muitas das empresas com produtos ou serviços ruins e que procuram adotar ações de marketing milagrosas encontram-se ainda na fase do Marketing 1.0. Seguindo o modelo da Era Industrial, o Marketing 1.0 foi a forma lógica de se fazer negócios durante muito tempo, mesmo às custas de produtos ou da produção de produtos que causassem efeitos negativos nas pessoas ou na sociedade com o passar do tempo (cigarros e meios de transporte à base de combustíveis fósseis são alguns dos inúmeros exemplos). Todavia, o mundo e a sociedade mudaram radicalmente desde então, tornando a narrativa focada apenas no produto uma opção cada mais vez mais obsoleta. Hoje em dia, não importa qual seja o setor de atuação do seu negócio: todas as empresas são prestadoras de serviços, mesmo aquelas com foco no produto. Isto porque todo produto envolve algum tipo de serviço ao cliente em alguma etapa de sua existência, mesmo que seja na própria experiência de compra ou ainda embutido no desenvolvimento do produto em si (algo verdadeiramente útil para o consumidor).

O espírito de servir ao cliente tem que fazer parte dos valores corporativos das empresas, sendo tanto o produto quanto o serviço a prova tangível de que aquilo que a empresa prega em suas campanhas de marketing é a mais pura verdade. E muito infelizmente, tenho visto inúmeras empresas utilizando o marketing apenas como uma forma de efetuar uma venda e não com o objetivo de servir ao cliente, sendo talvez esta a razão principal do marketing ainda carregar uma má reputação para muitas pessoas.

Então, se a sua empresa vende produtos ou serviços de baixa qualidade, deixe-me dar um conselho: não há plano ou ação de marketing que gere resultados sustentáveis ao longo do tempo. Sua empresa pode até enganar os consumidores em uma primeira instância mas vai ser difícil manter a farsa por muito tempo haja visto a absurda facilidade com que as reclamações se espalham pela Internet (veja o famoso vídeo da Brastemp logo abaixo, o qual destaca um consumidor reclamando da geladeira da empresa em 2011 e que acumula até o momento 892.399 views no YouTube, sendo apenas um entre tantos outros vídeos com reclamações). E da próxima vez que uma pessoa interessada naquilo que sua empresa vende entrar em contato com as resenhas, vídeos ou reclamações sobre o seu produto ou serviço na Internet, pode ter certeza que ela encontrará outras opções de mercado mais vantajosas.

Agora, se a sua organização acredita que é obrigação do marketing conseguir vender coisas que não prestam, impactando negativamente as pessoas, a sociedade ou o meio ambiente, eu rezo todos os dias para que empresas como a sua entrem com o pedido de falência o mais rápido possível.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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