Responsabilidade Social e Ambiental

PalestranteAinda perplexo com a notícia de domingo sobre o recorde mundial nas emissões de CO2 na atmosfera terrestre (veja aqui a notícia na íntegra), é imperativo explorar o conceito de responsabilidade dentro e fora das empresas por razões de sobrevivência dos negócios e da própria espécie humana em última instância.

Quando eu insisto na importância de mudar radicalmente a nossa maneira entender o capitalismo, o trabalho e o mundo dos negócios, isto não se trata de uma mera questão moralista para ganhar simpatia, uma forma de ver o mundo com lentes cor-de-rosa e muito menos ainda uma inocente proposta de mudanças fáceis, rápidas e indolores. Longe disso, a necessidade de mudanças urgentes em nossas empresas é um desafio gigantesco e possui relação direta com o eventual colapso da nossa civilização, caso não haja uma massa crítica suficiente para derrubar o curso do status quo.

Desde o início dos tempos, se o ser humano não decide mudar o curso da história por conta própria, o sistema maior dentro do qual ele transita ou a própria natureza se encarrega de equilibrar as forças, promovendo um nivelamento dos gráficos ascendentes através de crises, epidemias ou catástrofes. Por exemplo: a ascensão e queda das civilizações ao longo da história, a grande depressão dos anos 1930, a bolha das empresas ponto com (ou bolha da Internet em 2001), a crise imobiliária nos EUA e a crise financeira internacional em 2008/2009. Embora completamente diferentes, todas essas crises poderiam ser dissecadas ao ponto de encontrarmos um traço em comum na geração de todas elas: a crença de que o crescimento seria infinito e de que uma crise jamais surgiria. Não houve um plano B para os colapsos mencionados justamente pelo fato das pessoas no comando serem cínicas e irresponsáveis, pensando que “a farra” seria para sempre. No contexto corporativo, nunca é demais lembrar que o mercado e os negócios continuam, mas empresas surgem e desaparecem da mesma forma que as civilizações por causa, sobretudo, da insistência em modelos insustentáveis de visão e operação.

Hoje vivemos exatamente desta forma, achando que o mundo permanecerá assim para sempre até sermos surpreendidos pela próxima epidemia, pela próxima crise ou pela próxima catástrofe representada pela queda do luxuoso palácio de nossa própria arrogância, edificação exuberante que desabará devido ao seu insustentável peso. Esta é a analogia em relação ao cenário do capitalismo predominante, de nossa relação com a sociedade e de nossa relação com as mudanças climáticas. Esta última, uma catástrofe da natureza como forma de compensar a pressão exercida sobre o clima, a qual cobrará o seu preço mais cedo ou mais tarde se a gente não tomar a responsabilidade por nossos atos. Portanto, ignorar as bolhas da atualidade significa simplesmente repetir os erros do passado e contribuir inexoravelmente para que elas explodam o mais rápido possível. Tratar o desafio das mudanças climáticas com indiferença como estamos fazendo consistentemente constitui uma prova incontestável de que somos passivos e potencialmente suicidas.

E é justamente aqui que entra o conceito de responsabilidade. A palavra responsabilidade é mais um daqueles termos muito falados e pouco compreendidos, por mais incrível que possa parecer. Portanto, não entrarei aqui nos aspectos técnicos do conceito de responsabilidade socioambiental e sim no aspecto conceitual da palavra responsabilidade cujo sentido vem sendo negligenciado tanto no Brasil quanto no mundo afora. Responsabilidade não é somente obrigação como a maioria deduz apressadamente, mas também a qualidade de responder por seus atos individualmente e socialmente, coisa que, com raríssimas exceções, não estamos fazendo por medo, egoísmo, ignorância, comodidade, covardia ou uma nefasta mistura dos 5 componentes. E o pior é que a irresponsabilidade é tão disseminada que, quando alguém age de forma responsável, normalmente damos um sorriso de desdém e julgamos tal pessoa como inocente ou idiota.

No âmbito das empresas, é extremamente comum as pessoas com amplo poder de decisão culparem o capitalismo ou o sistema por eventuais crises. É como se a mão invisível de Adam Smith, o capitalismo ou o tal de “sistema” tivessem vida própria e não fossem alimentados e retroalimentados por nós, seres humanos. É a famosa evasiva: “eu estava apenas cumprindo ordens” que os magnatas de Wall Street declararam após serem pressionados pelas autoridades americanas sobre suas responsabilidades no desencadeamento da crise financeira internacional. Enfim, justificativas covardes com o intuito de livrarem os seus próprios traseiros pois, no final do dia, somos nós que tomamos as nossas decisões e não o sistema. No final do dia, somos nós que economizamos água ou lavamos a calçada. No final do dia, somos nós que decidimos fazer parte de uma causa maior ou continuar a assistir novela. No final do dia, somos nós que decidimos entre a ética e a corrupção. No final do dia, somos nós que decidimos entre a Tesla Motors e a General Motors. No final do dia, somos nós que “cortamos os custos” muito facilmente com demissões coletivas ou investimos conscientemente em capital humano.

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Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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