Motivação e Liderança

Palestrante

Você sabe o que é roda presa? Não, não estou me referindo a um eventual problema com a roda do seu carro. Estou falando de pessoas passíveis de carregar esta denominação na gíria popular.

Um jeito fácil de explicar o que seria uma pessoa roda presa seria lembrar de quando você foi ao supermercado e, inadvertidamente, pegou um carrinho com a roda presa. Lembra como foi? Um carrinho de supermercado com este defeito anda com muita dificuldade, faz barulho, mais atrapalha do que ajuda e causa muita irritação. De forma similar, os rodas presas são tão dominados pelos padrões impostos pela sociedade, são tão sobrepujados pelo medo, são tão doutrinados pelas circunstâncias que pararam de sonhar e, como consequência, pararam de agir ou “pararam de rodar”.

Já dizia Benjamim Franklin, um dos líderes da Revolução Americana em pleno século XVIII: “toda a humanidade é dividida em 3 tipos de pessoas: aqueles que são imóveis, aqueles que são móveis e aqueles que movem.” Em outras palavras, há aquelas pessoas que não vão mudar por mais argumentos e justificativas que sejam apresentados a elas. Há aquelas que são maleáveis, estando dispostas a ouvir, aprender e mudar. E por último, há aquelas que movem os outros, que servem de estímulo, de inspiração, que indicam o norte, que mudam o mundo.

Em que grupo você se encaixa?

A despeito de todo o universo de mazelas e injustiças que sofremos desde sempre em nosso país, culturalmente falando, somos um povo muito roda presa. Somos muito dependentes do governo e culpamos o meio externo pelas nossas dificuldades diárias (forças externas que de fato existem, mas normalmente ignoramos os componentes internos desta relação com os obstáculos). Naquela famosa frase: “Quem quer sempre dá um jeito, quem não quer sempre arranja uma desculpa”, nossa nação pende cada vez mais para a segunda parte da sentença por conta também da abordagem assistencialista do governo que intensifica o problema. Enfim, trata-se de uma visão de mundo passiva compartilhada por muitas pessoas, embora a grande mídia normalmente confunda isso com um temperamento pacífico (se fôssemos realmente pacíficos, não teríamos os altos níveis de criminalidade e violência comparáveis aos de países em guerra).

E por ser uma questão cultural, este temperamento roda presa também invade nossas empresas e afeta todos os escalões. Indiferente do que esteja descrito em seus crachás de identificação, questões profundas como visão e missão são apenas enxergadas por elas como quadros cafonas pendurados nas paredes. Como reféns das circunstâncias, reclamam de tudo e de todos: subordinados reclamando de chefes e supervisores reclamando de subordinados em empresas com patamares medíocres de desenvolvimento. E a alma do empreendedorismo como força transformadora da sociedade vira foco de ridicularização de uma gente cínica, preocupada apenas em garantir o dinheiro no início de cada mês e maximizar as vantagens pessoais, custe o que custar. Em ambientes nocivos como este, ao invés dos funcionários passarem seu tempo criando, inovando, apoiando os membros da equipe, se dedicando aos seus clientes e se protegendo da concorrência, eles perdem seu precioso tempo tentando se defender de colegas traiçoeiros, de sistemas burocráticos ou da tirania de seus próprios chefes.

Se você se encaixa no perfil das pessoas que movem, não há o que fazer em relação aos tipos rodas presas. Seguidores do dogma “o Brasil não tem jeito”, estes ficarão paralisados pelo medo e pela descrença geral e rejeitarão qualquer proposta de mudança. Portanto, insistir em motivá-los ou tentar mudá-los é a mais pura perda de tempo. Elimine-os de seu ambiente de trabalho. Você tem que focar sua atenção e energia nos tipos móveis de Franklin, pois estes estarão aptos a ouvir. São potencialmente otimistas pois jamais enxergariam qualquer vantagem em uma possibilidade de mudança se não pensassem desta forma. E são deles que precisamos para construir novos ambientes de trabalho, novas empresas, novos negócios e um país muito mais inteligente. Identifique e contrate estas pessoas. Treine-as. Nutre-as. Elas serão salvação da sua empresa. Elas serão os líderes de amanhã.

Ambientes sadios com funcionários motivados não são um acidente do acaso, o resultado automático de contratações bem-sucedidas ou o fruto de um golpe de sorte do destino. É de responsabilidade daqueles que movem prover as condições ininterruptas para que os colaboradores sintam-se seguros ao ponto de não se ocuparem mais com a proteção de si próprios. É preciso ter coragem, humanismo e um forte senso de união para criar ambientes corporativos que favoreçam o crescimento da confiança ao invés do terror psicológico, todas estas qualidades fundamentais de um verdadeiro líder e não de um mero chefe. Em ambientes nutridos desta forma, a criatividade e a inovação são mais suscetíveis de ocorrer e todos saem ganhando: empresa, funcionários, clientes, fornecedores e acionistas. E a pergunta que eu deixo por aqui é a seguinte: quem é que ganha com o pessimismo se ele fomenta ainda mais o estilo roda presa?

Uma pesquisa da Pew Research Center feita no primeiro semestre de 2014 com 44 países demonstrou que o pessimismo no Brasil aumentou dramaticamente, sendo mais uma vez um dado estatístico comparável ao nível de países em guerra civil como Egito e Paquistão (veja o gráfico logo abaixo e a pesquisa completa neste link). Perguntados sobre seu nível de insatisfação, 72% dos entrevistados disseram estar descontentes com a situação do Brasil, apresentando uma piora de 17% em relação à mesma pesquisa feita em 2013. Isto revela que ao mesmo tempo em que a grande maioria está insatisfeita com os rumos do Brasil, também enfrentamos grandes resistências às mudanças por parte dos rodas presas. Tanto é assim que, se estivéssemos dispostos a mudar de verdade, o continuísmo (situação há 12 longos anos no poder) não estaria tão bem posicionado nas pesquisas eleitorais, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Widespread Dissatisfaction

Só espero que as pesquisas de intenção de voto estejam sendo transparentes e totalmente imparciais. Do contrário, receio termos de enfrentar uma guerra de verdade ao invés de simples dados comparativos.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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