Socialismo e Capitalismo

Palestrante

Foto icônica do muro de Berlim momentos antes de sua queda em Novembro de 1989.

É impressionante como ainda permanece vivo o discurso de esquerda, o qual possui raízes na visão de mundo marxista que, com o passar do tempo, revelou-se impraticável no mundo real. Com a queda da União Soviética e do muro de Berlim, caíram também as fichas de que o sistema socialista não funciona por razões vivenciadas na prática e não por causa de especulações mirabolantes de fundamentalistas de direita com pavor da palavra “comunismo”. Ficamos presos a uma visão de mundo anacrônica, reféns que somos de um discurso repetitivo, improdutivo e inocente que insiste em ignorar todo o processo que levou ao colapso do comunismo.

O único país socialista da atualidade com sinais evidentes de desenvolvimento é a China, justamente por ter promovido a abertura da economia e ter caminhado como nenhuma outra nação socialista em direção aos fundamentos do capitalismo. O que sobrou do bloco socialista apresenta condições precárias de desenvolvimento por conta da teimosa insistência em modelos arcaicos que não funcionam.

A doutrinação socialista

Antes de ser crucificado, reconheço que o sistema capitalista atual é deficiente, gera problemas e desigualdades inaceitáveis e por isso mesmo exige mudanças urgentes (a própria proposta da Afronta Marketing tem relação com essa urgente necessidade de mudança). Mas como ex-socialista e ex-petista, hoje eu reconheço humildemente também que nenhum outro modelo conseguiu tirar tantas pessoas da linha da miséria como o sistema capitalista. A minha abissal falta de perspectiva histórica de todo o processo de construção do capitalismo bem como a doutrinação que eu sofri ainda no período escolar por professores de inclinação socialista me faziam pensar exatamente como os candidatos de esquerda proferem suas ideologias nos dias de hoje, em plena época de campanha eleitoral. E o que eu percebo é que o discurso socialista permanece o mesmo desde onde eu consigo lembrar, alegando que o mundo capitalista é dominado por interesses inescrupulosos, por empresários sem piedade, por negócios cruéis e desumanos, nivelando por baixo todos os envolvidos na movimentação da economia.

A premissa do conflito 

Em outras palavras, o socialismo predominante padece do complexo de vítima, o qual consiste na condição psicológica de enxergar a si próprio como vítima das circunstâncias e, todos aqueles que discordam desta visão de mundo, como pessoas necessariamente a favor da perpetuação desta polarização entre explorados e exploradores que remonta ao período de EngelsMarx. Nesse cenário maniqueísta do século XIX, a sociedade foi interpretada por eles como um eterno conflito entre a classe burguesa (a qual controlava a produção) e um proletariado (que fornecia a mão de obra para a produção). O próprio Manifesto do Partido Comunista é apresentado para os leitores da seguinte forma: “A história da humanidade é a história da luta de classes”. Sintetizando tudo, a “luta de classes” virou um verdadeiro dogma, o qual salienta o confronto, o conflito, o ódio como ponto de partida para a forma socialista de enxergar o mundo. E como todo dogma, foi criado uma religião ao redor dele com o passar do tempo, a qual tem pregado que as mazelas da sociedade possuem agentes fixos na forma de uma elite opressora que controla o restante da sociedade, sendo qualquer outro tipo de interpretação da dinâmica social veementemente descartada.

Apesar de tal abordagem fazer muito sentido naquela época, a sociedade evoluiu muito desde então. Mas a obsessão pela luta entre os extremos (ricos contra pobres, brancos contra negros, patrões contra empregados) continua a ecoar anacronicamente na cabeça do socialista, ignorando as grandes conquistas da sociedade moderna e a enorme gama de diferentes nuances entre os extremos do complexo mundo em que vivemos. Partindo de uma premissa reducionista e uniformizadora que ignora os múltiplos cenários da realidade, o socialista enxerga a vida sob uma constante guerra do bem contra o mal (aqui, as semelhanças com as religiões institucionalizadas não são mera coincidência), onde o bem seria representado pelo socialismo libertador e o mal seria representado pelo capital opressor. Como na clássica narrativa do herói, a jornada mítica do socialismo poderia ser interpretada como uma vítima das circunstâncias que passa por uma série de desafios e depois se transforma em protagonista ao tomar o poder das mãos de empresários inescrupulosos à serviço dos opressivos interesses do poder econômico. Mais um mito entre tantos outros que existem por aí, caracterizado por uma vítima fraca que precisa virar a mesa para se vingar do carrasco mais forte. E isso explica, pelo menos em parte, o sucesso da disseminação do ideal socialista pelo mundo em termos psicológicos.

As deturpações do capitalismo

Mas em termos práticos, poderíamos dizer que existem pessoas inescrupulosas dentro do capitalismo? É óbvio que existem! E são essas pessoas que deturpam completamente a essência do modelo, principalmente nas vestes do capitalismo entre amigos (ligações antiéticas e privilegiadas entre empresas e governos – muito infelizmente, o Brasil é especialista nesta modalidade criminosa) e na obsessão pelo lucro imediato do setor financeiro (cujo ápice desencadeou a crise financeira internacional em 2008). Mas achar que a essência do capitalismo cujo fundamento pode ser definido como a capacidade de resolver um problema e gerar lucro como forma de compensação é uma premissa ilegítima, constitui uma visão demasiadamente infantil na minha opinião. Esta visão distorcida e superficial do capitalismo também ocorre devido à falta de percepção do papel do empreendedorismo na sociedade, o qual gera crescimento pessoal, inclusão social e melhoria da qualidade de vida inclusive pelo próprio viés histórico do Iluminismo, da Revolução Industrial e do capitalismo de livre-iniciativa.

Por conta do período de pré-eleição, o velho discurso socialista volta a tomar conta das grandes mídias de massa e também das mídias sociais. E de acordo com as últimas pesquisas, a possibilidade do enfrentamento de dois candidatos de esquerda em um segundo turno é muito grande. Como defensor do empreendedorismo (leia a postagem “Como Ser Empreendedor”) e do capitalismo como forma de transformação da sociedade, eu não poderia deixar de chamar a atenção para a necessidade de uma linha de pensamento mais lúcida entre os dois extremos das palavras capitalismo e socialismo, extremidades ideológicas cuja luta eu considero cada vez mais improdutiva para o mundo moderno. Precisamos sair deste discurso secular e buscar novas alternativas de abordagem, as quais eu reputo existir e constituem sim visões muito mais produtivas para o nosso cansado mundo.

A Evolução do Capitalismo 

Existem pessoas e movimentos dentro do capitalismo muito descontentes com o rumo atual das coisas e já estão se articulando para promover mudanças. Um livro muito bom neste sentido é “Capitalismo Consciente – Como Libertar o Espírito Heroico dos Negócios”, lançado no Brasil pela editora HSM. O conteúdo é extremamente recomendável, e uma explanação um pouco mais detalhada antes de comprar o livro você encontra na postagem “A Revolução do Capitalismo Consciente”, cuja leitura eu considero ser obrigatória para toda a liderança empresarial.

Confira abaixo também o vídeo de Nick Hanauer em um evento do TED, palestra cujo conteúdo chama a atenção para a necessidade de mudanças urgentes, também apontando na direção do Capitalismo Consciente. Infelizmente, ainda não há legendas disponíveis em português e por isso eu disponibilizei no idioma espanhol. É possível alterar as legendas passando o cursor sobre o canto inferior direito do vídeo.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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