A Culpa é Sua!

PalestranteMuitas vezes sou questionado sobre meu ímpeto por querer um mundo diferente sob a alegação de que se trata de um esforço inútil. Seja nas empresas ou organizações de um modo geral ou ainda pela perspectiva mais ampla da sociedade em que vivemos, me deparo com muitos brasileiros relutantes em mudar. Essas pessoas constituem um monstruoso número de cidadãos que, predominantemente, deixaram de acreditar em um futuro melhor por causa do desastroso histórico político de nosso país. Mas eis aqui um dado interessante e pouco explorado: essas pessoas acreditam em um futuro ruim ou, no mínimo, igual ao momento presente mas, em geral, excluem-se desse futuro sombrio. Como se estivessem separadas de uma forma esquizofrênica do conceito de sociedade, falam do futuro de suas empresas e do futuro do país como se estivessem fora dessa realidade participativa do meio ao redor.

Como tal fenômeno é muito disseminado (pessoas dizendo que o Brasil nunca vai mudar você encontra em todos os lugares), deparamo-nos com duas consequências tristes e interessantes ao mesmo tempo. A primeira, é que nosso conceito de sociedade, união e coletividade é extremamente fraco e isso explica muito bem a atual situação do país, seja em termos políticos, econômicos ou culturais. A segunda, é que ninguém se sente realmente corresponsável por eventuais mudanças, mesmo que, individualmente, essas pessoas não deixem de lutar por uma vida melhor. Ou seja, pelo fato de não acreditarem em uma sociedade melhor, lutam individualmente por um futuro pessoal melhor mas o senso de união nacional, somente vivenciado em Copas do Mundo ou em Junho do ano passado no período das passeatas (antes da escalada da violência) é completamente eliminado. E com isso, tudo o que conseguimos perpetuar é justamente aquilo que mais detestamos pela nossa falta de ação em conjunto.

O que eu estou querendo expor por aqui é que estamos causando uma seríssima dicotomia entre morar em um mesmo território e ao mesmo tempo possuir um débil senso de sociedade e de país. A sociedade é sempre algo lá fora, apartado da minha “nobre e correta maneira de ser”. Assim, quando falamos de empresa e de organização, pensamos em tudo aquilo ao redor da nossa estação de trabalho menos na gente mesmo. Quando se fala em comunidade ou em Brasil, pensa-se em todas as pessoas com exceção daquelas que eu conheço e gosto e, muito obviamente, excluindo a mim mesmo que sou uma pessoa “boa e correta”. Percebe a esquizofrenia?

Outra questão contraditória é o conceito de empresa apartado do conceito de sociedade. Apesar de admitir que nossas empresas constituem amostragens da sociedade relativamente independentes da esfera pública (e isso é muito bom!), devemos reconhecer que elas só existem, se desenvolvem e morrem em função dessa mesma sociedade normalmente negligenciada. E quando admitimos que a empresa em que trabalhamos não tem solução, fica fácil procurar por outras alternativas e saltar do barco ao encontrarmos algo melhor, seja em termos financeiros, seja em relação ao ambiente de trabalho, seja em melhores perspectivas de futuro. Afinal de contas, temos a oportunidade de procurar por outras organizações mais condizentes com os nossos valores e com nossa visão de mundo, embora tenhamos uma fraca noção de causa e efeito de nossos próprios atos nessas mesmas empresas em que trabalhamos e criticamos.

Mas quando dizemos que o país não tem solução, o que podemos fazer a respeito? Mudar de país? Poucos possuem tal oportunidade. E ao comentar que o país não tem jeito, estamos dizendo para a gente mesmo que nós não temos jeito. Ou seja, ao mencionar que o Brasil não tem solução, cada pessoa está, inconscientemente, dizendo que ela própria não tem solução, ela mesma não tem jeito, ela mesma morrerá pensando da mesma forma como nasceu, fazendo as mesmas coisas que sempre fez. Você que diz que o Brasil não tem jeito, embora não saiba e por isso mesmo ficará incomodado com o que eu estou escrevendo, já desistiu de si próprio faz tempo. Isso porque a gente se excluiu da palavra sociedade e da palavra Brasil, colocando-nos à margem em nosso pensamento quando, na realidade correspondente, estamos na posição central do problema. O simples fato de morar nesse país já te coloca na posição de corresponsável pela disseminação de tudo o que é bom ou ruim em maior ou menor escala em sua esfera de influência.

E essa desunião constitui um desserviço que só interessa a quem está no poder dando muito risada da nossa individualidade doentia. Quanto mais desunidos formos, melhor será para a perpetuação da situação. Perdemos nosso senso de coletividade e só conseguiremos mudar alguma coisa com o fortalecimento dessa união que foi esquecida como o sem-teto invisível embaixo daquele viaduto pelo qual passamos todos os dias.

Você, como líder da sua empresa, da sua comunidade e do seu município tem um papel absolutamente crucial no fomento dessa união perdida e amedrontada com os atos de violência nas manifestações de 2013, muito provavelmente praticados para gerar esse medo e impedir uma eventual mudança. Do contrário, continuaremos a reclamar de nossas empresas e de nosso país feito papagaios, repetindo o mesmo discurso de sempre e ignorando a importância transformadora do conceito de liderança em nossas vidas.

Não quero mais ouvir aquela frase sobre o Brasil ser o país do futuro como eu sempre ouvi desde criança. O Brasil precisa, de uma vez por todas, ser o país do momento presente e isso depende fundamentalmente de você!

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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