Liderança e o Poder da Comunicação

Palestrante

Dono de um dos maiores conglomerados de empresas do mundo, Richard Branson acredita que “socializar-se e ouvir pessoalmente a equipe são fatores fundamentais” para o sucesso de uma empresa

Sempre que falamos de comunicação no mundo dos negócios é comum associar tal palavra com o P de Promoção dos 4Ps do mix de marketing, geralmente envolvendo algum tipo de ação publicitária para gerar vendas. Outras pessoas também relacionam o conceito de comunicação interna de uma empresa com o conceito de endomarketing, disciplina da administração cujos fundamentos estão no próprio marketing tradicional. A diferença no endomarketing, porém, é que o público-alvo é constituído pelos próprios funcionários da organização, partindo do lúcido princípio que, antes de vender a empresa para os seus respectivos clientes, é preciso vender a empresa para os seus próprios colaboradores. De fato, esta é uma questão crucial para toda empresa de sucesso, mas o que eu gostaria de abordar aqui é o aspecto específico e fundamental da comunicação pela perspectiva da liderança.

A comunicação é geralmente negligenciada nas empresas, muito infelizmente pela razão dela não ser vista como uma prioridade no ambiente de trabalho. Seja porque o comando da empresa não acredita na importância da comunicação como um meio de fomentar uma forte cultura organizacional, seja porque o comando é arrogante o suficiente para achar que os colaboradores não precisam ter acesso ao maior número possível de informações sobre a empresa, a ausência de comunicação causa sérios problemas que afetam inevitavelmente o desempenho dos negócios.

Para exemplificar o que estou tentando transmitir com números, uma pesquisa realizada pela Deloitte em 2010 nos Estados Unidos (confira os dados na íntegra neste link), apontou que 48% dos funcionários entrevistados gostariam de deixaram seus empregos pela falta de confiança em seus empregadores, ao passo que 46% mencionou que a falta de transparência nas comunicações de seus líderes era o principal motivo para procurar outro emprego. Outros dados revelaram que 32% dos empregados entrevistados acreditavam que a comunicação transparente era o fator mais importante para gerar confiança no ambiente de trabalho. E por fim, 92% dos executivos disseram que a transparência na comunicação era uma das 3 maiores táticas para gerar confiança nos colaboradores.

Traduzindo tais dados para o bom e velho português, um ambiente de trabalho sem comunicação gera frustração, desconfiança e ainda alimenta o medo com o passar do tempo. Isso porque o ser humano possui uma alta tendência a temer pelo pior na ausência do acesso à verdade. E às vezes a situação nem é tão ruim assim, mas a mente humana já se encarrega de pensar besteiras e a fomentar um ambiente de desconfiança. E a boataria sobre a falta de ética dos empregadores, o suposto momento negativo da empresa e as eventuais demissões correlatas começa a correr solta pela organização. E em um ambiente dominado pela fofoca, a produtividade cai e a rotatividade aumenta consideravelmente. Somente o cuidado direto do líder com a cultura da organização, a começar pelo fomento de uma comunicação intencional, consistente e da forma mais transparente possível é que será capaz de evitar essa situação tão comum no mundo dos negócios.

Um dos principais papéis do líder é manter a chama da visão da empresa viva em sua equipe e, para isso, ele será obrigado a compartilhar a visão, a missão e as metas com os outros através da comunicação. E isso deve ser feito periodicamente porque tendemos a perder a perspectiva dos objetivos de longo prazo na medida em que fazemos as tarefas mais imediatas. Assim, é preciso aprender a contar a história da sua empresa, criando uma narrativa onde as pessoas sintam-se fazendo parte de algo maior do que elas próprias. Este é o ponto em que o propósito da empresa deve ser comunicado com maestria, com o intuito de fortalecer a cultura da empresa e fugir da ideia lugar-comum de que o objetivo de toda organização é lucrar o máximo possível (apesar de ser absolutamente fundamental para sua empresa, o lucro é a consequência e não causa dela existir). Trata-se de uma sensação semelhante ao senso de pertencimento a uma religião, criando um nexo com um propósito maior que não é apenas visualizado pelo fundador ou pelo corpo diretivo, mas também compartilhado pelas pessoas nos cargos mais humildes da corporação. O próprio histórico da empresa com seus altos e baixos, derrotas e vitórias pode servir de estímulo ao time, ao mesmo tempo em que os valores passam a ser consolidados pela força da repetição do discurso.

Uma forte cultura de comunicação consegue manter o moral elevado, evita o descontrole da situação e promove a superação dos obstáculos mesmo em tempos de crise. Um time inteligente e maduro para lidar com as crises só é possível de ser desenvolvido e mantido mediante uma comunicação de qualidade, a qual vai muito mais além dos e-mails com relatórios diversos, envolvendo também encontros periódicos estruturados em uma estratégia macro onde o tom da voz, a linguagem corporal e o contato visual fazem toda a diferença na comunicação de um líder de verdade (sentimentos cruciais para a saúde de uma empresa como confiança e lealdade não podem ser transmitidos por um e-mail).

Em uma era marcada pela expressão “tempo é dinheiro” e pela comunicação eletrônica prevalecendo sobre a verbal, vale a pena retomar o exercício de nossos antepassados ao caminhar pela sua empresa e conversar pessoalmente com alguns colaboradores (é óbvio que, dependendo do tamanho da organização, conversar com todos é absolutamente impossível). Como mamíferos sociais que ainda somos, precisamos do contato uns com os outros e a maior prova disto é que os eventos corporativos nunca foram tão frequentes no mundo dos negócios, onde palestras, workshops e outros encontros com objetivos diversos tem demonstrado ser cada vez mais importantes na construção de uma cultura corporativa vencedora.

Assim, quando um líder caminha pela sua empresa com o intuito de sentir a atmosfera e conversar olho no olho, ele pode contar com a lealdade de seus funcionários ao invés de vê-los saltar de seu barco na primeira oportunidade. Isto porque o verdadeiro líder se importa com seus colaboradores, investindo o seu precioso tempo com eles e não porque ele simplesmente paga o salário deles. Afinal de contas, pessoas são leais às pessoas e não ao dinheiro que todas elas recebem de uma forma indissociável no início de cada mês.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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