O Mito do Empreendedor Genial

Palestrante

Thomas Alva Edison

Embora não seja uma inverdade, existe uma crença subjacente de que o capitalismo foi sendo moldado por histórias distorcidas de inventores ou empreendedores geniais como James Watt, Graham Bell, Nikola Tesla, Thomas Edison, Henry Ford, Willis Carrier, Guglielmo Marconi, etc. De uma forma inclusive caricata, o inconsciente coletivo foi associando as inovações e o empreendedorismo montado ao redor delas com histórias de sábios solitários em seus respectivos laboratórios, trabalhando em suas invenções milagrosas com base em suas próprias genialidades, guardando segredos para somente revelá-los no momento adequado e com o objetivo de fazer fortuna.

E é certamente esta crença reforçada pela nossa falta de perspectiva histórica que forneceu a base conceitual para muita gente ainda acreditar que a abertura de um negócio de sucesso exige uma ideia inédita no universo, uma invenção revolucionária ou um segredo muito bem guardado a sete chaves. Mas o estudo da história da inovação esclarece que as boas ideias sempre se apoiaram em ombros de gigantes (Newton que o diga!), necessitando da combinação de um incontável número de conquistas prévias para permitir o florescimento das coisas novas. E o momento “eureka” de cada inovação só foi possível ocorrer depois de muito tempo de trabalho (as vezes muitos anos de suor e lágrimas), com base na combinação e aperfeiçoamento de coisas existentes.

Então esqueça essa ideia de ineditismo brotando magicamente no topo da sua cabeça em forma de uma lâmpada acesa (aliás, a referência icônica ao Edison, aqui, não é mera coincidência). Se todo empreendedor fosse esperar ter uma ideia inédita para começar o seu negócio, hoje o mundo seria muito mais pobre e atrasado. A maioria dos bons negócios surge de ideias existentes que são aperfeiçoadas ou de diferenciações em termos de qualidade, atendimento, posicionamento, preço, experiência do consumidor, etc. Por exemplo: Quando Sergei Brim e Larry Page procuravam por investidores para o Google no final da década de 1990 (antes da ferramenta ser conhecida), era comum a justificativa de que já havia motores de busca eficientes no mercado como o Yahoo!, o Alta Vista, o Ask Jeeves (hoje simplesmente “ask”) e o Infoseek. Por que diabos eles deveriam se interessar por investir dinheiro em mais um buscador? Pois é né… O resto da história a grande maioria de vocês já conhece. Outro exemplo? O Starbucks não inventou o negócio de vender cafés ou, sendo mais simples, a cafeteria. Mas a experiência de tomar café em um local diferente de tudo o que existia foi sim o pulo do gato de Jerry Baldwin, Zev Siegl e Gordon Bowker, fundadores do Starbucks. E por fim, outro exemplo clássico foi a reinvenção do supermercado pelo Whole Foods Market, uma rede de supermercados que ao invés de cair na mesmice de um mercado em guerra pelo preço mais baixo criou uma concepção diferenciada de supermercado especializado em produtos naturais e alimentos funcionais, atingindo uma classe de pessoas preocupadas com a saúde, mesmo que isto signifique gastar um pouco mais com esses artigos.

O que eu quero dizer com esses exemplos é que, sem menosprezar a inquestionável genialidade de nomes como, Tesla, Edison e Bell, até as inovações mais originais e lucrativas foram muito mais uma questão da combinação criativa de coisas existentes do que a invenção de um produto ou serviço totalmente inédito no mercado.

E para finalizar esta postagem, esqueça essa palhaçada de esconder um “grande segredo” que você descobriu com medo de que alguém possa roubar a sua ideia brilhante. Esqueça isso! É justamente o contrário: ideias servem para ser compartilhadas e combinadas com outras ideias. Você, aspirante a empreendedor (para quem estiver interessado no desafio, leia Como Ser Empreendedor), tem mais é que conversar com as pessoas sobre a sua ideia de negócio e verificar se, de fato, ela é boa para os outros e não apenas para o seu inflado ego cuja inocência o faz acreditar que ninguém mais no mundo pensou nisso. E outra: mesmo que alguém roube a “sua ideia” (ineditismo de ideias é algo muito raro), entre achar ela interessante e fazê-la dar certo existe uma distância absurdamente grande (se fosse fácil, todo mundo seria empreendedor).

Lembre-se que uma empresa existe para atender os seus clientes e não a você. Se você perceber ao conversar com as pessoas sobre sua ideia de negócio que ninguém estaria disposto a pagar pelo seu produto ou serviço é melhor começar a pensar em outra coisa para não perder o todo o investimento financeiro e emocional envolvidos em uma ideia que somente você acha brilhante.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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