Onde Estão os Líderes do Brasil?

Nelson MandelaO Brasil carece de um bem muitíssimo precioso que poucos entendem ou comentam. Por ser extremamente raro, pouco se fala sobre o assunto, talvez por um triste misto de descrença, esquecimento e desvalorização. O Brasil nunca foi muito bom na produção desse bem mas, ultimamente, a ausência desse item no mercado chega a ser absolutamente desesperadora. A verdade é que nunca na história deste país (parafraseando nosso “excelentíssimo” ex-presidente) eu senti tamanha falta de boas lideranças ou bons exemplos.

Em um país de bandidos, falar em bons exemplos chega ser infantil. Mas insisto no tema por acreditar que ele seja de fundamental importância para que o Brasil inicie as mudanças de longo prazo que tanto necessita.

Dizem que só conseguimos ensinar através de bons exemplos. E eu acredito plenamente nesta afirmação, sendo justamente esse ponto um dos grandes obstáculos do Brasil. Enquanto a massa amorfa estiver satisfeita com a situação em que nos encontramos, nosso país ficará como está ou, muito infelizmente, amargará um futuro ainda pior.

Grandes mudanças exigem a participação de muitas pessoas. E o trabalho coordenado de muitas pessoas em direção a um objetivo específico só será possível mediante o exercício da liderança (leia essa postagem para maiores aprofundamentos no conceito de liderança). Mas não será qualquer liderança, afinal, é possível liderar em direção a algo construtivo ou destrutivo como testemunhamos ao longo da história mundial com Hitler, Osama Bin Laden, Hugo Chávez e outros inúmeros exemplos, passando pela esfera nacional com a desastrosa história dos próprios políticos brasileiros. Lideranças destrutivas que conduziram o Brasil para uma farsa travestida de “fenômeno de desenvolvimento” quando, na verdade, nossa infraestrutura é péssima, nossa educação é uma piada de mau-gosto, nossa saúde é uma completa calamidade e a nossa segurança é digna de um país rural da década de 1930. E é isso que precisamos enxergar e admitir muito friamente sob a pena de acharmos normal sobreviver na condição de explorados para dar os primeiros passos em direção à mudança. Para tanto, precisamos de líderes na mais nobre acepção da palavra, capazes de inspirar e influenciar os brasileiros em direção a um futuro melhor em todos os sentidos, independentemente de bandeiras ideológicas (se é que há ainda alguma), inclinações religiosas ou defesas partidárias.

Claro que o nosso sistema político atual constitui uma pesada trava que impede o avanço do país, evitando inclusive que líderes bem intencionados (independente da abrangência de atuação ou da natureza de seus partidos) consigam destaque ou o mínimo nível de poder. Isso explica, pelo menos em parte, porque a nossa carência por bons exemplos é um problema crônico. Ou seja, o sistema político atual cujo projeto de reforma permanece barrado no Congresso Nacional por razões que vocês podem deduzir é um dos grandes entraves no caminho da verdadeira prosperidade nacional. Portanto, esqueçam essa falácia utilizada inclusive nas mídias tentando-nos convencer de que a nossa única arma é o voto. Esqueçam isso! Com o sistema político atual, até o candidato mais benevolente do planeta seria obrigado a fazer conchavos, costurar alianças com interesses particulares, prestar contas às organizações que contribuíram com as verbas de campanha e adequar-se a um sistema totalmente tomado pela corrupção. Faz-se necessário, portanto, uma ampla pressão popular para que o sistema político mude radicalmente no Brasil. Do contrário, seremos obrigados a acompanhar a triste história de sempre, mesmo votando na melhor pessoa da galáxia.

Mas é lógico que, mesmo que o sistema político seja alterado, todos nós precisamos dar um passo mais além. Grande parte de nossos problemas são de ordem cultural. É ilusão achar que é apenas na política que as mazelas do nosso país encontram terreno fértil para prosperarem. Temos que aprender definitivamente a sermos críticos e exigentes em todos os aspectos da nossa vida, começando pelas nossas próprias atitudes sem qualquer concessão (para um maior aprofundamento na questão da exigência em níveis pessoais, leia a postagem “Gestão da Qualidade, Gestão da Vida“). E é aí que entra o papel do bom exemplo, extrapolando a questão política para espalhar boas ideias por todas as esferas da nossa existência.

Sendo isso um problema cultural, é claro que também enfrentamos a ausência de boas lideranças em outros setores da sociedade como, por exemplo, dentro das empresas brasileiras de capital privado. Embora a situação tenha mudado bastante nos últimos anos, ainda é visível a diferença entre as culturas corporativas de organizações brasileiras e internacionais, cenário causado, em parte, pela falta de boas referências éticas, profissionais e educacionais. É óbvio que ser líder no Brasil é muito mais desafiador que em outras culturas justamente pelo panorama resumido que eu apresentei até o momento. Todavia, é por isso mesmo uma necessidade ainda mais fundamental. Se quisermos que o país decole de verdade em termos econômicos, as empresas constituem o ambiente ideal para tais transformações começarem a brotar uma vez que constituem pequenas amostragens da sociedade brasileira sob controle privado e, por essa mesma razão, relativamente livres dos tentáculos contaminados do Estado.

As boas lideranças, portanto, são prodígios pessoais de muitíssima coragem nadando contra a maré de corrupção do Brasil, afirmação que desafia o chavão popularesco compartilhado inclusive pela imprensa brasileira quando esta diz que “é uma minoria que estraga o país”. Se fosse realmente desta forma, já teríamos conseguido colocar o Brasil no patamar que ele definitivamente merece nos 30 longos anos após a queda da horrenda ditadura que completaremos agora em 2014.

Precisamos parar de uma vez por todas de justificar a todo momento nossa atual condição e enfrentar o problema de frente tal qual fizemos no período das Diretas Já e em junho do ano passado, ainda que o ocorrido recentemente tenha sido sem um rumo definido ou de uma forma descoordenada. É aí que entram as boas lideranças que, repito, estão muito além das discussões ideológicas ou partidárias e adentram no campo da educação, da ética, da cidadania e da consciência humana. Que possamos finalmente educar pelo bom exemplo, sendo líderes na acepção mais nobre da palavra em nossas empresas e com isso influenciar em termos comportamentais o maior número possível de pessoas. Seria bom inclusive sob o ponto de vista financeiro, transformando nossas companhias em organizações relevantes para a sociedade e resilientes frente às crises de um mundo cada vez mais complexo.

Somente nesse nível comportamental é que a massa crítica poderá ser um dia atingida, sendo a boa liderança uma questão de educação dentro das nossas empresas, muito infelizmente por causa da falência do Estado no seu papel de formador de cidadãos através de bons exemplos de moral e ética.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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