A Revolução do Capitalismo Consciente

Capitalismo ConscienteO sistema capitalista sempre foi alvo de inúmeras críticas e, mesmo com o desmantelamento da União Soviética e a subsequente queda do muro de Berlim, a irritação da opinião pública com o modelo capitalista vem ganhando força nas últimas 2 décadas, sofrendo uma pressão ainda maior por causa da última crise financeira internacional. Portanto, falar em Capitalismo Consciente pode soar como algo risível, ingênuo ou até mesmo ficcional. Mas o livro Capitalismo Consciente – Como Libertar o Espírito Heroico dos Negócios figurou entre os best sellers dos jornais New York Times e Wall Street Journal no ano passado, sugerindo que deve haver algo muito sério neste trabalho. E há!

O livro aborda um ponto de vista muito diferenciado sobre a função capitalismo na história da sociedade moderna, esclarecendo que ele constituiu o melhor mecanismo de inclusão social, geração de riqueza e de transformação cultural jamais inventado. Além disso, discursa sobre as reconhecidas mazelas do modelo atual, sugerindo transformações viáveis no sistema para resolver as questões mais prementes do nosso planeta. Soluções que se encontram muito além da apressada conclusão de que se tratam de filantropia ou responsabilidade social. É uma forma muito mais ampla de repensar o capitalismo, beneficiando todos os stakeholders (clientes, funcionários, fornecedores, parceiros, acionistas, sociedade e meio ambiente) em um sistema ganha-ganha, causando um impacto positivo e duradouro sobre o mundo.

O subtítulo “Como Libertar o Espírito Heroico dos Negócios” joga luz sobre uma velha confusão entre os conceitos de empreendedor e empresário, retomando a importância do empreendedorismo como força de transformação da sociedade e até das próprias empresas interessadas em rever suas práticas e voltar às origens de suas organizações. A importância do propósito, da ética e dos valores nesta abordagem é reposicionada de forma a assumir o papel central em uma corporação, passando os lucros para a posição de resultado e não como causa da empresa existir. Nessa nova narrativa sobre o capitalismo, o lucro continua a ser fundamental mas choca-se de frente com o mito-clichê de que as empresas só existem para maximizar os lucros dos investidores. Uma interpretação equivocada que teve origem ainda no período da Revolução Industrial (aliás, como uma grande parte dos conceitos que ainda utilizamos hoje em dia), fruto da estreiteza de visão sobre o papel do ser humano e de uma forma mecanicista de explicar a natureza dos negócios com base em modelos matemáticos.

Longe de ser uma ideia simplista, o conceito de Capitalismo Consciente é bastante amplo, inteligente, corajoso e revolucionário, sendo um princípio já aplicado em diferentes níveis por empresas como o Google, a Southwest Airlines, a Whole Foods Market, a The Container Store, a Timberland e a Patagonia. Todas elas constituem empresas de sucesso em seus respectivos segmentos, provando que a adoção do Capitalismo Consciente também objetiva o lucro como forma de garantir a sustentabilidade da organização a longo prazo, em oposição ao imediatismo ganancioso do lucro de curto prazo. Trata-se, portanto, de uma poderosa vantagem competitiva que promove força, determinação e resiliência excepcionais ao longo do tempo, resultando em captações mais lucrativas do que aquelas proporcionadas pelo capitalismo predominante.

Iniciativas como esta são lucrativas porque o mundo não é mais o mesmo desde a crise financeira internacional eclodida em 2008, com críticas crescentes ao modelo especulativo e aos interesses de curto prazo de investidores descomprometidos com o desenvolvimento das organizações (Warren Buffett, por exemplo, constitui um parâmetro contrário de bom investidor). Além disso, vivemos em uma sociedade muito mais informada e esclarecida por causa da Internet, com consumidores muito mais exigentes e alertas em relação ao papel das empresas no mercado, demandando muito mais das organizações do que a simples disponibilização de um produto. Só para colocar em perspectiva a revolução que a tecnologia está causando no mercado (Big Data), um smartphone hoje em dia possui o mesmo poder de computação de um PC top de linha do ano de 1995 (fonte: The Wall Street Journal, 30 de Abril de 2013). Estima-se que a Internet possua algo em torno de 1 trilhão de páginas e, para ampliar ainda mais esta tempestuosa corrida rumo a um ser humano mais inteligente, 90% de todo o volume de dados existentes no mundo de hoje foi produzido apenas nos últimos 2 anos (fonte: Science Daily, 22 de Maio de 2013). É muito mais informação do que sonhou o executivo mais bem informado de todos os tempos e, é claro, constitui um crescimento que não parará o seu vertiginoso curso.

É óbvio que é humanamente impossível ter acesso a essa insana quantidade de informações de uma só vez ou mesmo ao longo de todas as nossas vidas. Mesmo assim, o volume de conhecimento disponível a um custo quase zero está transformando a vida de inúmeras pessoas ao redor do mundo, sendo impossível esperar que práticas injustas, antiéticas ou até mesmo ilegais ainda possam passar despercebidas pela subestimação da inteligência de nossos clientes. Estamos falando de consumidores que conversam entre si nas mídias sociais, classificam, criticam, comparam experiências e chegam até você muito bem informados sobre o que eles precisam comprar, quais os diferenciais dos concorrentes, de que forma o seu produto ou serviço pode ou não pode ajudá-los, etc. E a Internet impulsiona este tipo de comportamento ativo, obrigando as empresas a estarem cada vez mais expostas por conta da competitividade, uma vez que a dependência da Internet é cada vez maior e obriga outras empresas a estarem presentes na web para não perderem mercado. Isso, por sua vez, estimula ainda mais a transparência e habitua os consumidores a buscarem cada vez mais informações sobre as empresas, expectativa que vai além dos aspectos técnicos e comerciais dos produtos ou serviços disponíveis, envolvendo as práticas das empresas no que se refere à responsabilidade socioambiental, trabalho infantil, ambiente de trabalho, ética nos negócios, etc.

Resumindo, está cada vez mais difícil enganar os consumidores com produtos ou serviços que lesionem a confiança das pessoas em um ou mais aspectos da relação empresa/cliente. Isso porque estamos sendo testemunhas do nascimento de um mundo muito mais crítico, exigente, consciente e transparente, independentemente de sua empresa estar preparada ou não para enfrentar clientes com esse tipo de perfil. De uma certa forma, o Capitalismo Consciente é fruto de um maior amadurecimento da própria sociedade, pressionada que está a tomar decisões de âmbito mais global, as quais afetam o futuro de todos nós como pobreza, sustentabilidade ambiental e aquecimento global.

Seria impossível dar um panorama geral sobre o Capitalismo Consciente em uma única postagem. Para informações muito mais completas sobre este novo conceito, eu recomendo ler o livro, o qual considero como leitura de cabeceira para todo líder empresarial.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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