Feliz Segunda-Feira!

SegundaDescontando as horas dedicadas ao sono, cerca de metade de nosso tempo diário é ocupada com uma atividade remunerada. Isso sem considerar, obviamente, as frequentes horas extras, o trabalho nos fins de semana e as idas e vindas do trabalho nas grandes metrópoles, o que elevaria consideravelmente as horas dedicadas à uma ocupação profissional para 2/3 ou mais. Em termos numéricos, fica óbvio o quanto a nossa relação com o trabalho é demasiadamente importante.

Mas a realidade tem mostrado que estamos na contramão da valorização desta atividade humana. A maioria das pessoas começa a sofrer no domingo a tarde ou à noite e só vai começar a se sentir mais feliz na sexta-feira! Eu sei bem porque eu mesmo já fui assim. É um sentimento de desproporcionalidade muito generalizado, visível dentro e fora das empresas: são 5 dias de amargura (sexta-feira a tarde já é frequentemente encarada com bom-humor) contra 2 de felicidade (já que o domingo é, muitas vezes, contaminado pelo desespero da semana que ainda nem chegou). Em outras palavras, estamos perdendo de goleada (5×2), em um cenário cujo trabalho constitui um fardo a ser carregado até o próximo fim de semana, quando somente então nós passaremos a viver. E muitas vezes isso não significa que temos coisas extraordinárias para serem feitas nos fins de semana; significa apenas que qualquer coisa acaba sendo mais agradável do que o nosso trabalho.

Dentro desta perspectiva nada ficcional, o emprego resume-se a uma permuta: oferecemos uma quantidade de horas mensais em troca de uma determinada quantia em dinheiro e alguns benefícios. Se a troca soa compensadora, aceitamos o emprego e atuamos de forma robotizada, sem qualquer envolvimento emocional com aquela atividade. Assim, não há produtividade e engajamento que resista a uma atividade sem propósito, mesmo porque, não existem grandes esforços nos processos seletivos para cruzarem o conjunto de valores do candidato com o propósito da organização, abordagem que também não acontece ao longo do tempo em que um funcionário permanece atuando na empresa. Tudo se resume a uma espécie de ciclo de autoprostituição, onde você só voltará a ser você mesmo às 18:00 horas (o famoso happy hour é uma prova disso), sendo o único propósito daquela atividade o dinheiro no início de cada mês.

Esse círculo vicioso representa uma morte a base de conta-gotas, quando não provoca a morte propriamente dita. Uma pesquisa realizada pela Women’s Medical University e publicada no American Journal of Hypertension em Fevereiro de 2005 (veja o artigo da CNN sobre o assunto) mostrou que o índice de ataques cardíacos sobe dramaticamente às segundas-feiras pela manhã em todo o mundo. Reflexo inquestionável da pressão, do estresse e da sensação negativa que uma grande quantidade de pessoas nutre em relação ao trabalho.

Que me perdoem os realistas, mas esse quadro generalizado não pode ser considerado como algo normal e imutável. Para alterar esta situação cada vez mais epidêmica, existe um movimento que, ainda que esteja engatinhando, já vislumbra uma realidade bastante diferente no ambiente de trabalho. Empresas como o Google, Whole Food Market, Zappos e Southwest Airlines, por exemplo, são conhecidas pela sua forma completamente inovadora de encarar o seu time de colaboradores, levando em conta o propósito como um dos fatores de atração e retenção de funcionários, indo muito além do que simplesmente prover um bom salário e alguns benefícios.

É lógico que o salário é um componente muitíssimo importante. Todo mundo precisa ganhar dinheiro e ele é, de fato, um dos motivadores mais poderosos. Mas o salário sozinho não é capaz de reter um funcionário e muito menos ainda garantir uma atuação superior. Exemplos disso existem às pencas, com funcionários de alto escalão ganhando muito bem e fazendo muito pouco pelas empresas. A verdade é que as pessoas não são caixas registradoras; se você contrata alguém com base no salário, mesmo considerando todas as qualificações requeridas para o cargo, pode ter certeza que essa pessoa permanecerá ali pelo mesmo motivo (dane-se a sua empresa!). Além do dinheiro, é preciso significado, valorização, reconhecimento, empatia, emoção, admiração, enfim, todos os elementos que objetivam humanizar o período de segunda à sexta-feira e não torná-lo um martírio sem um propósito, o que levará inevitavelmente ao desespero de empregados e empregadores.

Não vou me estender muito sobre este ponto pois existe muito a ser discutido sobre o tema, mas o propósito é uma das coisas mais poderosas a serem nutridas dentro de uma organização. Sem ele, sua empresa não vai muito longe nesse mundo cada vez mais competitivo, onde até o mais simples deslize pode ser fatal para a sua empresa. O propósito não é aquilo que sua empresa vende e sim o motivo dela existir. O motivo-clichê “empresas existem para gerar lucros” sempre foi muito errado, embora tenha sido amplamente adotado pelo mundo capitalista. Seria como dizer que o propósito do ser humano é comer; sem comida, obviamente, não sobrevivemos, mas aposto que você ficaria indignado se alguém lhe dissesse que o seu propósito na vida é comer e dormir. Então, como você pode aceitar que o mesmo seja pensado em relação à sua empresa?

Empresas com propósitos fortes e que saibam comunicar isso de forma clara e consistente possuem facilidade em encontrar as pessoas certas, as quais darão o sangue por aquilo que acreditam e não pelo contracheque ou holerite no início do mês (para quem ainda não viu, assista o vídeo logo abaixo para entender um pouco melhor a questão do propósito nas empresas). O propósito nessas organizações atua como um catalisador do sucesso, unindo as pessoas em torno de um objetivo comum e maior que a própria empresa. Um propósito convincente pode mobilizar uma organização em direção a um destino específico, diminuindo a preocupação com objetivos individuais mais imediatos. Não vai resolver todos os problemas, mas certamente irá torná-los mais administráveis e menos impactantes.

O que tudo isso tem a ver com um blog sobre marketing e negócios? Simplesmente tudo!

A despeito da forma como a Afronta encara o conceito de marketing, essa palavrinha de origem inglesa, no entendimento comum, constitui uma forma de entender e depois atender as necessidades de seres humanos. Desta maneira, como poderemos atender os nossos clientes com funcionários desmotivados, improdutivos, infelizes e desconectados emocionalmente do nosso público-alvo?

Você pensou certo. Não tem como.

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.

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