Marketing Digital: Conceito ou Preconceito?

Marketing Digital_Afronta

Teste rápido: pegue um pequeno grupo de pessoas em ambiente aberto ou fechado e peça ao grupo para memorizar todos os objetos ao redor que forem da cor vermelha. Depois de alguns segundos focados em tudo o que for dessa cor, peça ao grupo que relaxe, volte a atenção para você e pergunte se as pessoas conseguiram enxergar alguma coisa na cor azul. A reação mais comum será a de espanto pois as pessoas quase sempre serão incapazes de lembrar de alguma outra coisa sem ser da cor vermelha. Isso porque o exercício trabalha com a atenção, ou seja, a nossa capacidade para focar em um determinado conjunto de informações para executar tarefas diversas. Filtrando um determinado conjunto de dados de cada vez, nosso cérebro é obrigado a selecionar o que é mais fundamental para cada situação. Caso contrário, teríamos um colapso com tanta informação sendo capturada pelos nossos sentidos e chegando ao mesmo tempo em nosso cérebro.

Este simples exercício serve para demonstrar que ao mesmo tempo em que o foco é fundamental em nossa vida, ele é também um fator limitante, impedindo-nos de enxergar até as coisas mais óbvias que estão piscando direto em nossa cara. Da mesma maneira, existem muitos empreendedores que, completamente focados em seu nicho de atuação, acabam ficando cegos para questões que estão escancaradas em suas faces, como por exemplo o papel da Internet no mundo dos negócios hoje em dia.

Como fenômeno tecnológico, cultural e de consumo, a Internet não pode ser menosprezada da maneira como eu ainda vejo boquiaberto por parte de empreendedores e empresários no Brasil. Com 52,5 milhões de usuários ativos, nosso país ocupa a terceira posição no mundo mas, em quantidade de horas gastas na grande rede, o Brasil ocupa o primeiro lugar com uma média de 27 horas por mês de navegação. Considerando as pessoas que não possuem computador em casa, cerca de 93% dos brasileiros acessam a Internet pelo menos uma vez ao dia e 85% utilizam serviços de busca diariamente (dados do Google/Prospect Brasil). Sendo o país que mais gasta tempo dentro do Facebook, talvez até pelas nossas características culturais, somos simplesmente viciados em mídias sociais com 274.068.465 milhões de impressões de anúncios publicitários. O e-commerce cresceu 11% em 2012, movimentando R$22,5 bilhões de reais, com ticket médio de R$342,00 e previsão de aumento de 25% no total de vendas neste ano (dados do comScore e do e-bit).

Os dados, portanto, obrigam-nos a encarar a Internet como uma ferramenta de geração de negócios e não um depósito de sites como muitos empreendedores e empresários ainda insistem em enxergar. Com base nessa visão completamente míope sobre a importância da web para a geração de visibilidade e receita, eu resolvi abordar os mitos mais comuns sobre Marketing Digital que eu vejo por aí, com o objetivo de transmutar o preconceito em conceito. Eis a minha lista:

MITO 1: INTERNET É COISA DE ADOLESCENTE.

Será mesmo? A audiência da internet no Brasil continua relativamente jovem, mas com 22,3% dos usuários com idades entre 15 e 24 anos, 31,8% entre 25 e 34, 21,3% entre 35 e 44, 13,8% entre 45 e 54 e 7,4% de 55 anos em diante, de acordo com a comScore Inc. em 2012. E aí? Ainda acha que é coisa de adolescente?

MITO 2: MARKETING DIGITAL É SOBRE FAZER SITES.

Antes de qualquer coisa, sempre que falamos de marketing é mandatória a presença da pesquisa e do planejamento neste trabalho, onde o aspecto “pessoas/clientes” deve ser amplamente estudado previamente à execução de todas as ações, inclusive a elaboração de um site. O que eu vejo muito por aí é aquela clássica situação do “sobrinho”, quando um parente ou um conhecido do empresário que acabou de aprender a mexer com uma ferramenta tecnológica é contratado a preço de banana para fazer o site da empresa e o empresário diz que “está fazendo marketing”. Com essa grande ressalva, de fato, o site é uma parte importante do composto do marketing digital mas está muito longe de ser apenas isso. Por meio da pesquisa e do planejamento adequados, é traçada a estratégia que quase sempre resulta em ações multifacetadas dentro da Internet, incluindo táticas de SEO, elaboração de blogs, configuração de páginas e edição de conteúdo em mídias sociais, sites em dispositivos móveis (smartphones e tablets), elaboração de e-books, uploads de vídeos no YouTube, uploads de apresentações no SlideShare, anúncios no Google, Facebook e LinkedIn, cadastro em sites de diretórios, registro no Google Places e por aí vai. Tudo em constante movimento e atualização a partir dos feedbacks que são gerados pelas ferramentas de análise disponíveis, gerando inteligência e aperfeiçoando estratégias para gerar tráfego e conversão com o passar do tempo. Amarrando com o início deste parágrafo, esta abordagem multilateral da Internet deve seguir um planejamento, um propósito a ser seguido e atualizado constantemente, uma vez que o Google indexa tudo o que for mais atualizado em primeiro lugar, deixando os sites mais estáticos para o fim da fila das buscas.

MITO 3: JÁ TEMOS UM SITE E ELE VAI MUITO BEM, OBRIGADO!

Hum… Será mesmo? Digite lá no campo de busca do Google não o nome da sua empresa mas aquilo que sua empresa faz, pois é isso que as pessoas que não conhecem a sua organização efetivamente digitam. E então? O nome da sua empresa aparece nas primeiras posições do resultado de busca? Ou muito pelo contrário? Se você não estiver visível quando alguém procurar por algo que a sua empresa faz, pode ter certeza que essa busca acabará no site do seu concorrente. Isso porque o custo de uma escolha alternativa (outro link) é praticamente inexistente. Ou seja, as pessoas buscam a concorrência porque é extremamente fácil fazê-lo. Basta dar 1 ou 2 clicks. Partindo do pressuposto que o seu site esteja bem posicionado nos resultados de busca, ele é mais curtido por quem o idealizou ou pelos seus clientes? Quando as pessoas entram em seu site elas cumprem algum tipo de missão crítica (baixam um e-book, preenchem um formulário ou fazem um pedido de orçamento) ou vão simplesmente embora devido ao site ser feio, desorganizado, com pouca informação, navegação sofrível, etc.? Você tem acesso a esses dados?

MITO 4: MARKETING DIGITAL É SOBRE MONTAR LOJAS ONLINE.

Mais uma vez, o e-commerce faz parte do Marketing Digital mas é apenas uma peça dentro de um grande quebra-cabeças, valendo tudo o que eu escrevi no mito 2.

MITO 5: MEUS CLIENTES NÃO PRECISAM DE INTERNET.

Não precisam? Tem certeza disso? Na loucura da sociedade moderna, todo mundo quer ganhar tempo e a busca na Internet, mais amplamente no Google (89,5% do mercado nacional de buscas), existe basicamente para gerar uma tomada de decisão. Não importa se as pessoas estão procurando algo para saber, fazer ou comprar; as buscas sempre partem de uma pergunta que é transformada em uma palavra-chave a ser digitada no Google, na expectativa de que as respostas solucionem seus problemas e ajudem-nas a tomar uma decisão no menor tempo possível. Você mesmo precisa da Internet, porque os seus clientes não precisariam? A não ser que eles vivam no meio da selva amazônica sem qualquer acesso ao conforto do mundo moderno, todo mundo precisa da Internet e a sua empresa não pode se dar ao luxo de deixar de aparecer no momento em que as pessoas mais precisam daquilo que você vende. Utilizando uma analogia, seria como muitas pessoas terem vontade de comer pipoca dentro de um estádio de futebol mas você, no papel de pipoqueiro, achar que não precisa estar ali. Ou então seu concorrente vender pipoca até mais caro do que você venderia dentro do estádio e os torcedores estarem comprando assim mesmo porque simplesmente não há outras opções por lá.

MITO 6: MEU NEGÓCIO É LOCAL E NÃO GLOBAL.

Com o termo-chavão “globalização” na cabeça você ainda acha que a Internet só serve para quem vende para todo o mundo em grande escala? Na América do Norte, 25% do total de buscas no Google são sobre produtos e serviços locais. E no Brasil, 82% das buscas no Google por negócios locais acabam por gerar um telefonema ou uma venda (dados do Chitika Insights). Um simples exemplo de como a Internet pode ser útil localmente é a utilização do Foursquare, aplicativo que permite os usuários recomendarem estabelecimentos comerciais em regiões específicas além de divulgar ofertas especiais baseado em dados de GPS em uma plataforma web.

MITO 7: MEU PRODUTO OU SERVIÇO NÃO É VENDIDO PELA INTERNET.

Tem certeza? Interessante… Hoje em dia, vende-se praticamente de tudo na Internet. A gigantesca lista inclui produtos novos e usados (Mercado Livre), livros, CDs e DVDs (Submarino, Americanas, Livraria Cultura, Saraiva), músicas, filmes, vídeos e aplicativos (iTunes), tênis, acessórios e moda esportiva (Dafiti e Netshoes – esta última começou com uma loja no centro de São Paulo e hoje planeja abrir capital na bolsa Nasdaq), alimentos (Pão de Açúcar Delivery), eletrodomésticos (Casas Bahia, Submarino, Americanas, Wall Mart, Ponto Frio, Fast Shop, Polishop), suplementos alimentares (Corpo Perfeito), flores e presentes (Flores Online, Giuliana Flores), camisetas (Camiseteria), móveis e decoração (Etna), automóveis (Webmotors), apartamentos (Tecnisa), etc, etc, etc. Isso sem mencionarmos serviços, os quais são tão absurdamente variáveis que ficam até difíceis de serem aqui listados (a esta altura já estou cansado e por isso não vou me atrever a escrever). E além disso, existem diferentes processos ao longo do funil de vendas, onde o emprego do conceito ZMOT (veja a postagem “FMOT e ZMOT”) não necessariamente objetiva gerar uma venda online mas sim a geração de leads (primeiro ponto de contato de uma pessoa com a sua empresa, sem ser cliente ainda) para serem posteriormente trabalhados, seja online ou offline. Assim eu te pergunto: por que a sua linha de produtos ou serviços não pode estar presente na Internet? Impedimento estratégico e tecnológico não existe. Impedimento mental, muito infelizmente, ainda existe de sobra.

Então é isso por enquanto. Voltando ao primeiro parágrafo, você conseguiu enxergar algum objeto azul?

Este blog é um oferecimento da Afronta Marketing.
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